Sul-Americano Master de Esportes Aquáticos no Recife traz histórias de superação e reforça que idade é apenas um número
Competidores das mais variadas idades disputam a competição sediada em Pernambuco
Pela primeira vez, a cidade do Recife vem sediando o Campeonato Sul-Americano Master de Esportes Aquáticos, em torneio que movimenta competidores das mais variadas idades. De histórias de superação a manter o rendimento competitivo em idades consideradas avançadas, diferentes motivos levam os competidores a caírem na água no Parque e Centro Esportivo Santos Dumont.
Um dos casos que chama atenção é o de João Grimberg, de 96 anos. Natural de São Paulo e dentista, o competidor rouba os holofotes da competição pela simpatia e alta disposição para disputar as provas de natação.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, Seu João, como é conhecido, relatou como iniciou no esporte e os motivos que o levaram a seguir competindo com a atual idade. “A natação começou de uma maneira interessante, eu nem estava procurando. Por causa da minha profissão, eu tive um problema no ombro, e o médico disse que só teria cura se eu movimentasse o braço, como se faz na natação”, iniciou o competidor master.
“Aí não deu outra: fui aprender a nadar com 60 anos. Eu nadava cinco dias por semana e, logo, comecei a competir. Comecei na categoria master em competições estaduais, depois nacionais e no exterior. Não vou dizer que a natação é tudo na minha vida, mas é uma parte importantíssima. Além do benefício físico, a natação traz também a satisfação de se superar. No dia em que eu não estiver mais ansioso para uma competição, aí estaria ruim. O que me dá ânimo é ser estímulo para tantas pessoas, em todas as idades”, concluiu.
Perguntado sobre o segredo de tal longevidade, Seu João ressaltou o foco e a disciplina como aspectos inegociáveis. Segundo o competidor de 96 anos, a mente é a verdadeira chave para atingir os objetivos.
“O segredo é ter um propósito e um foco. Não tem essa de estar com sono ou estar frio: o seu corpo pede, mas você é quem comanda. Deus nos deu o privilégio da liberdade de definir querer, poder e fazer ou ceder e fazer o que o corpo está pedindo. Eu nunca me arrependi de ter ido treinar. Se eu não fosse, com certeza me arrependeria. A idade é realmente um número. O tempo é meu, e o máximo de proveito eu vou tirar daquilo”, disse João Grimberg.
O caso parecido ocorre com Maruse Dantas, de 79 anos. A competidora master também iniciou a sua trajetória no esporte com uma idade acima do habitual. Segundo Maruse, a natação mudou a sua vida, fazendo com que ela se tornasse exemplo para as futuras gerações.
“Quando me aposentei do banco, eu comecei a nadar, já aos 50 anos. A natação entrou e me deu muita qualidade de vida. Hoje eu já tenho 668 medalhas e sigo competindo em diferentes categorias. Estou muito feliz com a natação em minha vida. Hoje, eu sou um exemplo de vida para todo mundo, inclusive para os meus bisnetos. Eles perguntam o que vou fazer com essa quantidade de medalhas, são eles que vão fazer o meu museu com a história da minha vida. Aconselho a natação a todos, eu durmo bem, não sinto dor em lugar nenhum e estou muito feliz”, disse, com sorriso no rosto, Maruse Dantas ao Diario.
A categoria master também traz histórias como a de Luciano Bucharles, de 55 anos. Para além dos idosos, competidores adultos também buscam melhora de vida no esporte, colocando a saúde pessoal como foco para a prática esportiva. O caso ocorreu com Luciano, policial de ofício, que relatou um grande susto em sua saúde.
“Fui atleta de alto rendimento até 1997 e, posteriormente, parei de vez. O serviço policial começou e já não dava mais para conciliar as rotinas. Quando você entra na polícia, não tem mais horário, o estresse é diário e a alimentação piora. Minha saúde foi piorando até que, em 2021, tive um problema de saúde e cheguei a quase infartar. O médico falou que ou eu voltava a uma rotina mais saudável ou não iria durar muito neste mundo”, iniciou Luciano Bucharles.
“Voltei à natação e comecei a me inscrever nas competições master. Aí você se força a não passar vergonha e melhora a sua rotina. Acho também que não precisa ser um exagero igual quando era atleta, na vida você tem que combinar as boas coisas também. Perdi 20 kg no período e hoje levo uma vida muito mais saudável, meus exames são os melhores dos últimos 30 anos”, concluiu o policial.
As competições master de esportes aquáticos não se restringem apenas a pessoas que buscam melhorar de vida e têm outras profissões. Quem também esteve participando do campeonato foi a ex-atleta olímpica Fabíola Molina. A ex-nadadora profissional vem competindo em Recife e, ao Diario, destacou a importância de se manter ativa mesmo após a aposentadoria.
“Fui atleta olímpica e nunca achei que estaria competindo aqui, porque já competi muito na vida. Mas o que me faz estar aqui é a disciplina que consigo manter de treinar ao menos três vezes na semana, para a gente manter a qualidade de vida e nossa saúde física e mental. Tem também a motivação, de você querer vir para cá e fazer bonito”, externou Fabíola Molina.
Os diferentes relatos trazem riqueza de histórias para o evento, que se coloca em uma posição de ser mais que uma disputa esportiva. A categoria master vem acompanhada de diferentes motivações, estilos de vida e idades dos seus competidores.
Competição ocorre até 25 de abril
O Sul-Americano Master de Esportes Aquáticos segue ocorrendo em território pernambucano. Até a última sexta-feira (17), foi disputada a natação. A competição agora vai para o Pontal de Maracaípe, com disputas em águas abertas neste sábado (18) e domingo (19).
De volta ao Parque Aquático do Santos Dumont, a competição será encerrada no dia 25 de abril, ainda contando com as modalidades de polo aquático e nado artístico.