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Beto Lago: 'Uma argentina que joga com a alma, que sangra, luta e acredita até o último segundo'

E, diante de uma Argentina assim, ninguém pode se atrever a dizer que existe favorito

Por Beto Lago

Lautaro Martinez e Lionel Messi, da Argentina

Alma Albiceleste
Na batalha de Atlanta, a Argentina escreveu mais um capítulo inesquecível da sua história. Uma virada épica sobre a Inglaterra, construída nos minutos finais, que levou a atual campeã do mundo a mais uma decisão. E, mais uma vez, com Lionel Messi regendo a orquestra.

Você pode se incomodar com a catimba, com o jogo duro e, por vezes, até no limite da deslealdade. Mas há uma característica dessa seleção que é impossível negar: ela simplesmente se recusa a perder. A Inglaterra saiu na frente com Gordon e, quando parecia que iria controlar o jogo, cometeu um pecado mortal contra uma equipe desse tamanho: recuou. Entregou a bola, o campo e a iniciativa para a Argentina.

Lionel Scaloni respondeu colocando mais atacantes, abrindo Messi pelo lado, empurrando seu time para o ataque e transformando a pressão em esperança. O empate veio com Enzo Fernández. Mas aquela seleção já não queria apenas sobreviver. Queria vencer. E, nos acréscimos, apareceu o gênio. Dos pés de Messi saiu um cruzamento perfeito, daqueles que parecem desenhados. Lautaro Martínez apareceu para completar, de cabeça, e explodir Atlanta em emoção.

Foi a vitória de um time que joga com a alma, que sangra, luta e acredita até o último segundo. De uma seleção que faz do impossível apenas um detalhe e que tem um craque capaz de mudar qualquer roteiro com um único toque na bola. Agora, a Espanha espera na final. E, diante de uma Argentina assim, ninguém pode se atrever a dizer que existe favorito. Que inveja.

A hora da fúria espanhola
Para derrubar a Argentina, a Espanha precisará repetir o futebol envolvente e dominante que vimos diante da França, acrescentando a tradicional “fúria espanhola”. Mais do que talento, será preciso intensidade, personalidade e poder de decisão. E os holofotes estarão voltados para Lamine Yamal. O jovem craque terá a chance de mostrar que é capaz de fazer a diferença no maior palco do futebol e conduzir a nova geração espanhola ao título mundial.

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Entre a convicção e a arrogância
Na entrevista coletiva, o técnico do Náutico, Hélio dos Anjos, afirmou que não gosta de perder porque "não se aprende nada com a derrota". É justamente aí que a convicção parece dar lugar à arrogância. No futebol, as derrotas costumam ser os maiores professores. Expõem falhas, obrigam à autocrítica e mostram caminhos que as vitórias escondem. Quando uma equipe entra em uma sequência negativa, o papel do treinador não é apenas reafirmar suas convicções, mas, principalmente, identificar onde errou e promover os ajustes necessários.

Vencer para estancar momento negativo
Insistir que nada precisa ser aprendido em meio aos tropeços passa a impressão de que o problema está em fatores externos, nunca nas próprias escolhas. No futebol, a pior derrota é quando não consegue reconhecer os próprios erros. E para estancar esse momento negativo, o Timbu vai precisar vencer o CRB, hoje, no Rei Pelé. Mais do que discursos de confiança, chegou a hora de ter respostas dentro de campo. Até para dizer que existe um projeto e que ele pode se adaptar, mesmo quando a realidade mostra que algo deixou de funcionar.