Coluna Além da Bola: Dramática como o tango
A Argentina repetiu o roteiro das outras partidas, foi dramática como o tango, com intensidade e paixão
Os dois melhores técnicos estão na decisão da copa do mundo do próximo domingo. Luis de la Fuente e Lionel Scaloni foram responsáveis, via caminhos e propostas diferentes, por transformarem Espanha e Argentina nas finalistas. Por transformarem, com muita justiça, o que muitas vezes desfalca o futebol, nas duas maiores seleções da competição.
Na semifinal com a Inglaterra, a Argentina repetiu o roteiro das outras partidas, foi dramática como o tango, com intensidade e paixão. Quem nos dera ter 10% desta capacidade de entrega, de devoção. Mas seria de um extremo simplismo cogitar que os hermanos chegaram à decisão apenas pela vontade, por uma raça absurda, quase inacreditável.
Mais ainda: colocar em campo tudo isso com muito equilíbrio e controle emocional ao som do tic-tac dos segundos finais de uma partida, em situações limites. Não sei se veremos em outros mundiais tantas viradas, tantos renascimentos de um time dentro de um jogo como os vividos pelos argentinos neste. Parecia que eles não queriam jogo fácil, que o seu principal combustível era a busca pela superação.
Siga o canal do Esportes DP no Whatsapp e receba todas notícias do seu time na palma da mão
O responsável por construir uma equipe com este poder é o ex-lateral, pouco lembrado enquanto atleta, o jovem técnico Lionel Scaloni. Ele assumiu uma seleção que não ganhava nem copa américa para o Chile e a transformou na melhor do mundo no Catar, em 2022.
A poucos metros de Scaloni, no Mercedes Benz Arena, o contraponto de tudo exaltado até aqui. O alemão Thomas Tuchel vai carregar, ao longo do restante da sua carreira e, possivelmente, algo que o incomodará na aposentadoria, a responsabilidade por ter feito a Inglaterra abrir mão de jogar futebol, coisa que seus jogadores sabem fazer muito bem.
Vitória da grandeza de um sobre a mediocridade de outro. Que bom para o futebol.
Espanha
Será quase impossível a Espanha repetir a partida que fez contra a França na decisão contra a Argentina no domingo. Longe de ser por falta de capacidade. Mas porque o futebol viu, na primeira semifinal da copa, uma rara atuação, muito próxima da perfeição, individual e coletiva.
Mas se o time de Luis de la Fuente repetir 90% da apresentação de gala da terça dificilmente deixará de levantar a taça do mundo pela segunda vez na história. O que os seus jogadores colocaram em prática diante do encantador time francês merece ser estudado, incluído como case de sucesso nos cursos de treinador.
De la Fuente, ex-treinador das seleções de base espanhola, conseguiu implementar ao tradicional tic-tac a excelência na compactação inteligente e funcional, na ocupação dos espaços. E sem bola e campo, nenhum adversário joga, mesmo um time recheado de craques com o francês.
Luis e Lionel são amigos pessoais. O espanhol, inclusive, após garantir a sua presença na final, manifestou a vontade que ter o argentino como adversário. E o terá. Que vença lo mejor!