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Coluna Além da Bola: Camisa não joga bola

Copa do Mundo de futebol produz reviravoltas a cada edição

Por Ricardo Novelino

Torcida da Alemanha

Entre os esportes coletivos, o futebol é, sem dúvidas, o único capaz de produzir as famosas “zebras”.
No jogo de bola, nem sempre o favorito ganha, de fato.

Nem sempre o melhor leva o troféu para casa.

No basquete e no vôlei, só para citar alguns exemplos, os timaços vão passar a vida toda jogando com equipes inferiores e a chance de perde é quase zero.

Quando acontece, vira comoção.

Há quase 40 anos, o Brasil de Oscar Schmidt venceu a final do Pan de Indianápolis, nos Estados Unidos, se tornando um dos maiores “azarões” da história do basquete mundial.
Isso foi em 1987 e, até hoje, aquelas cenas épicas são lembradas nas TVs, quando o assunto é superação no esporte.

Copa do Mundo de futebol produz reviravoltas a cada edição.

A cada quatro anos, as famosas “camisas pesadas” sucumbem diante de equipes inferiores ou sem tanta tradição.

Medalhões vão para casa mais cedo e campeões mundiais são obrigados a “chorar as pitangas” de forma precoce.

Em 1966, a Canarinho era bicampeã mundial e tinha Pelé, já a vossa majestade da bola, e Garrincha, em dias bem complicados.

Chegou à Inglaterra dos Beatles, de olho na coroa, e acabou sendo eliminada na fase de grupos.

Tudo bem, o time era uma verdadeira zona, a preparação foi tumultuada e Pelé levou mais pancada do que bife de dianteiro.

Mas era um grande candidato que perdeu cedo e teve que lavar a roupa suja para se revigorar em 1970, com o tri, no México.

Há outros exemplos mais recentes. Em 2002, a então campeã, a França, foi para a Ásia com Zidane e outros craques e naufragou.

Na Copa do Brasil, em 2024, numa lapada só ficaram de fora na primeira fase a Inglaterra, a Itália e a Espanha, que vinha do campeonato na África do Sul, quatro anos antes.

Naquela ocasião,. Costa Rica (vejam só) foi engatinhando e terminou correndo até uma derrota nos pênaltis para a Holanda, em fase já avançada.

Nesta Copa de 2026, o “bagulho tá cada vez mais louco”, como diriam os mais jovens.

A fase a mais, por causa do recorde de seleções participantes, foi um prato cheio para as “zebras” começarem a circular com desenvoltura pelos EUA, Canadá e México.

Coitado de quem fez bolão com antecedência.

O primeiro vexame veio do combalido Uruguai, bicampeão no passado, e um mar de brigas e lamentações no presente.

El Loco Bielsa pode até ter boas teorias, mas como técnico é um fiasco. Deu ruim para os bravos da Celeste Olímpica, que ainda vai ter reconstruir as bases para voltar a competir, em breve.

Os nossos vizinhos ainda tiveram que engolir o “esquadrão” de Cabo Verde passando na frente para pegar a Argentina, na segunda fase.

Uma antiga anedota do futebol lembra que o esporte foi criado na Inglaterra, mas os alemães sempre ganhavam.

Isso ficou no passado. Depois de ganhar em 2014, no Maracanã, e dos 7x 1 aplicados no “catadão do Felipão”, os germânicos nunca mais se endireitaram. Parece praga.

São eliminações recorrentes em fases iniciais de Copa desde 2018. Agora, o time perdeu nos pênaltis para o Paraguai, que joga um “futebol paraguaio”, com todos os trocadilhos possíveis.

A Alemanha teve a capacidade de perde para uma equipe que teve apenas 10% de posse de bola e um determinado momento do jogo. Que fiasco.

Esse também é o sentimento dos holandeses, os eternos terceiros colocados em três mundiais.
Marrocos é uma bela equipe e está longe de ser “azarão”, mas para os europeus, que foram para a Copa com o sentimento de “agora vai”, o sonho da “laranja Mecânica” virou suco.

E a Copa está só enfrenando. Tem muito jogo que pode provocar surpresas e mandar de volta gente graúda, né não Portugal, Inglaterra e Bélgica?

Para quem chegou ao Mundial como um motorista que troca a roda do caminhão descendo uma ladeira, o Brasil pode dizer que escapou até agora.

Mas fica o aviso: sapato alto e soberba não combinam com a bola e tradição é bom para monarquia.
Pelo andar dessa carruagem, que não suar até os 55 minutos (você não leu errado) do segundo vai pegar o avião de volta antes do esperado 19 de julho.