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Decolonização pelo futebol

Na Copa do Mundo de 2026 um movimento, mesmo que provavelmente não intencional nesse sentido, aponta para essa tendência dos dias atuais.

Por Marcos Toledo

Copa do Mundo 2026

O pensamento decolonial tem a ver com práticas contemporâneas, sociais e culturais que lidam com a herança colonial. Como não é possível apagar o passado, busca-se expor, resistir e criar novas formas de viver a partir dessas fissuras. Na Copa do Mundo de 2026 um movimento, mesmo que provavelmente não intencional nesse sentido, aponta para essa tendência dos dias atuais.

No passado, era muito comum jogadores que pareciam não ter chance em suas seleções buscar uma forma de naturalização em países ditos mais desenvolvidos. No Brasil tivemos o caso pioneiro de Oliveira ("Oliverrá"), que se naturalizou belga em 1991 e defendeu Os Diabos Vermelhos na Copa de 1998. Depois vieram Marcos Senna e Diego Costa, que defenderam a seleção espanhola nas edições de 2006 e de 2014-2018, respectivamente; Deco (2006-2010), Liedson (2010) e Pepe (2010-2022), por Portugal; Cacau (2010), pela Alemanha; e Thiago Motta (2014), pela Itália.

Agora em 2026, 289 jogadores atuam por países onde não nasceram, em 40 das 48 seleções. O curioso é a nova tendência: atletas de diferentes origens representando seleções ligadas à família, migração e identidade cultural. Apenas em Curaçao, dos 26 convocados, 25 nasceram nos Países Baixos e optaram por defender o selecionado caribenho. No Marrocos, 19 atletas nasceram na Bélgica, Espanha, França ou nos Países Baixos, entre eles o craque Brahim Díaz. Em Gana, sete jogadores nasceram na França, Inglaterra ou Espanha. Entre os casos mais ilustres, há o fenômeno Erling Haaland, que nasceu na Inglaterra, mas defende a Noruega.

O sentimento de pertencimento parece haver tomado conta das pessoas também no futebol.

O conceito de decolonialidade pode transformar a sociedade de mais de uma maneira. Pelo saber, ao questionar a ideia de que o conhecimento válido é apenas aquele produzido pelo Ocidente branco, valorizando saberes indígenas, quilombolas e populares; mas também pelas instituições, promovendo mudanças profundas em espaços de poder visando contar histórias mais representativas e plurais. E o futebol é uma baita instituição para se trabalhar isso.


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