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Raio-X do Marrocos: o primeiro desafio da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026

Marrocos evolui tecnicamente e promete desafio duro à Seleção Brasileira na estreia da Copa do Mundo

Por Paulo Mota

Jogadores de Marrocos

A estreia da Seleção Brasileira diante do Marrocos promete ser um teste mais complicado do que muitos imaginam. Nos últimos anos, os marroquinos deixaram de ser uma seleção considerada apenas competitiva para se tornarem uma das principais forças do futebol africano e uma equipe respeitada no cenário mundial. O país construiu um projeto consistente de desenvolvimento do futebol, investiu na formação de atletas e passou a competir em alto nível contra as principais seleções do planeta.

O reconhecimento internacional de Marrocos cresceu de forma significativa após a histórica campanha na Copa do Mundo de 2022. Naquele torneio, a seleção africana entrou para a história ao se tornar a primeira representante do continente a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo. O feito não foi fruto do acaso. A equipe eliminou adversários tradicionais do futebol mundial, entre elas Espanha e Portugal, demonstrando organização tática, disciplina defensiva e uma impressionante capacidade de competir sob pressão.

Dentro de campo, a principal característica marroquina é o equilíbrio. A equipe costuma apresentar uma estrutura defensiva muito sólida, com jogadores compactos e disciplinados, dificultando a criação de espaços pelos adversários. Ao recuperar a posse de bola, porém, o time muda rapidamente de postura, acelerando as jogadas e explorando a velocidade de seus atletas pelos lados do campo.

 

 

A surpreendente troca no comando técnico
A menos de 100 dias da estreia na Copa do Mundo, a Federação Marroquina de Futebol surpreendeu ao anunciar a saída de Walid Regragui, treinador responsável pela histórica campanha de 2022 e pelo vice-campeonato da Copa Africana de Nações de 2025. Para o seu lugar, foi escolhido Mohamed Ouahbi, de 49 anos, que recentemente comandou a seleção sub-20 de Marrocos na conquista inédita da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA 2025, no Chile, com vitória por 2 a 0 sobre a Argentina na final. A decisão indica uma aposta clara da federação em uma transição geracional, com foco na renovação do elenco.

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A mistura entre experiência e a "geração de ouro"
Entre os nomes de destaque está o lateral-direito Achraf Hakimi, do PSG, considerado um dos melhores do mundo em sua posição. Dono de grande velocidade, capacidade física e qualidade técnica, Hakimi é uma arma importante tanto na defesa quanto no ataque.

Outro jogador fundamental é o volante Sofyan Amrabat, responsável por dar equilíbrio ao meio-campo. Com forte poder de marcação e boa leitura de jogo, ele exerce papel decisivo na proteção da defesa e na saída de bola da equipe. No setor ofensivo, o atacante Youssef En-Nesyri aparece como principal referência, destacando-se pelo jogo aéreo, movimentação e capacidade de finalização dentro da área.

O atual elenco reúne uma combinação rara entre experiência e juventude. Lideranças consolidadas formam a base de uma geração considerada a mais talentosa da história do país. Ao mesmo tempo, jovens promessas como Bilal El Khannouss e Brahim Díaz, jovem que atua no Real Madrid, ampliam as opções técnicas e reforçam a expectativa de continuidade em alto nível.

Cortes na reta final da preparação
A seleção marroquina sofreu importantes baixas na reta final da preparação, quando a comissão técnica confirmou os cortes por lesão do zagueiro Nayef Aguerd e do atacante Abdessamad Ezzalzouli, um dos principais nomes do setor ofensivo na temporada. Para recompor o elenco, foram convocados o defensor Marwane Saadane, que atua no Al Fateh, da Arábia Saudita, e do jovem atacante Amine Sbai, do Angers, da França.

Jogadores atuando em grandes ligas
Outro fator que chama atenção é o perfil do elenco marroquino. Grande parte dos jogadores atua nas principais ligas da Europa, convivendo diariamente com um nível elevado de exigência técnica e tática. Essa experiência internacional contribui para a maturidade da equipe em jogos decisivos e ajuda a explicar o crescimento do futebol do país nos últimos anos. Além disso, a seleção conta com atletas acostumados a disputar competições continentais e torneios de elite, o que reduz o impacto da pressão característica de uma Copa do Mundo.

Teste de força
Embora o Brasil entre em campo com o favoritismo natural de uma das maiores potências do futebol mundial, Marrocos já mostrou que possui qualidade suficiente para desafiar qualquer seleção. Dessa forma, a estreia brasileira tende a ser muito mais do que um simples primeiro jogo: será um importante teste de força, concentração e maturidade em busca do sonho do título mundial.