Guia da Copa 2026: com expansão de vagas, África terá recorde de 10 seleções no Mundial
Pela primeira vez na história, o continente africano alcança os dois dígitos de representantes na Copa do Mundo
A Copa do Mundo de 2026 será, oficialmente, a maior da história para o futebol africano. Com a confirmação da classificação da República Democrática do Congo na repescagem internacional, a África garantiu, pela primeira vez, dez seleções na principal competição do planeta. O salto de cinco para dez vagas é fruto da expansão do torneio promovida pela FIFA, que agora conta com 48 equipes.
O recorde de vitórias em uma única edição foi registrado recentemente no Catar, em 2022, quando Marrocos (3), Senegal (2), Camarões (1), Gana (1) e Tunísia (1) somaram, juntos, oito triunfos históricos, campanha coroada pelo quarto lugar marroquino, a melhor colocação da África na história do torneio.
Confira, a seguir, o perfil, o chaveamento oficial e os detalhes das dez potências africanas que carimbaram o passaporte para o Mundial de 2026.
Senegal (Grupo B)
A seleção de Senegal chega à sua quinta Copa do Mundo sustentada por uma geração experiente e com expectativas elevadas após títulos recentes no cenário continental. O grande destaque técnico da equipe é o atacante Sadio Mané, maior artilheiro da história do país com 52 gols e segundo atleta com mais jogos pela seleção (124 partidas), logo atrás de Idrissa Gueye (129). Após ficar de fora do Mundial do Catar devido a uma lesão às vésperas do torneio, Mané lidera o elenco comandado por Malick Daf com o objetivo de repetir ou superar a campanha histórica de 2002, quando os senegaleses alcançaram as quartas de final em sua estreia.
República Democrática do Congo (Grupo B)
A República Democrática do Congo protagonizou um dos retornos mais emblemáticos deste ciclo. Os Leopardos não disputavam uma Copa do Mundo desde 1974, quando o país ainda competia sob o nome de Zaire e vivia o regime ditatorial de Mobutu Sese Seko. Sob o comando do técnico francês Sébastien Desabre, a equipe carimbou a vaga na repescagem mundial após bater a Jamaica com gol decisivo de Axel Tuanzebe. No elenco, destacam-se nomes que atuam na elite europeia, como o lateral Aaron Wan-Bissaka e o atacante Yoane Wissa. Curiosamente, a equipe caiu no mesmo grupo de seu vizinho do continente, o Senegal.
África do Sul (Grupo C)
A África do Sul está de volta ao cenário mundial após um hiato de 16 anos, a última participação havia sido em 2010, quando sediaram o torneio. Sob a batuta do experiente treinador belga Hugo Broos, que assumiu o cargo em 2021 e levou o time ao terceiro lugar na Copa Africana de Nações de 2023, os Bafana Bafana tentam quebrar a barreira da fase de grupos pela primeira vez. Na bagagem, a seleção traz o retrospecto de campanhas dignas em 1998 e 2002, além da icônica vitória por 2 a 1 sobre a França na rodada de despedida em Joanesburgo.
Cabo Verde (Grupo D)
A grande sensação das Eliminatórias. Pela primeira vez em sua história, Cabo Verde disputará a Copa do Mundo da FIFA. Os Tubarões Azuis representam um arquipélago de apenas dez ilhas e cerca de 520 mil habitantes, tornando-se a segunda menor população a jogar o torneio na história. O país, que conquistou sua independência de Portugal em 1975, torna-se a quarta nação lusófona a jogar um Mundial (juntando-se a Brasil, Portugal e Angola). A vaga histórica coroa a forte evolução da equipe, que já havia alcançado as quartas de final da Copa Africana de Nações de 2024 de forma invicta.
Marrocos (Grupo E)
Atual semifinalista mundial, Marrocos inicia sua sétima participação em Copas (a terceira consecutiva) sob os holofotes do planeta. Para este ciclo, a Federação Marroquina optou por uma mudança profunda no comando técnico na reta final de preparação, entregando o cargo a Mohamed Ouahbi. O novo treinador promoveu uma forte renovação, mantendo apenas nove remanescentes do Catar, entre eles o goleiro Yassine Bounou, o zagueiro Nayef Aguerd, o volante Sofyan Amrabat e o lateral Achraf Hakimi. Nomes históricos como Hakim Ziyech e o zagueiro Romain Saïss ficaram de fora da convocação final.
Liderada pelo capitão Achraf Hakimi, a seleção do Marrocos chega ao Mundial embalada pelo crescimento do futebol marroquino nos últimos anos. Considerado um dos melhores laterais-direitos do mundo, Hakimi, acabou de se tornar bicampeão da Champions League, é a principal referência técnica da equipe, destacando-se pela velocidade, capacidade ofensiva e experiência em alto nível. Ao lado de nomes como Yassine Bounou e Brahim Díaz, o capitão lidera uma geração talentosa que busca consolidar o país entre as principais potências do futebol internacional.
Em 2026, o título da Copa Africana de Nações ficou oficialmente com o Marrocos após decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF). Embora o Senegal tenha vencido a final em campo por 1 a 0 na prorrogação, o resultado foi posteriormente anulado após julgamento de recursos relacionados a incidentes ocorridos durante a partida.
Costa do Marfim (Grupo F)
Campeã africana em 2024, a Costa do Marfim retorna à Copa do Mundo após ficar de fora das edições de 2018 e 2022. Sob a liderança técnica do treinador Emerse Faé, os marfinenses tentam pela primeira vez avançar ao mata-mata, feito que bateu na trave em suas participações consecutivas em 2006, 2010 e 2014. Herdeiros do legado de Didier Drogba (maior artilheiro do país em Copas), a nova geração dos Elefantes aposta na força física e no entrosamento tático para surpreender em uma chave equilibrada.
Egito (Grupo G)
Primeira nação africana a disputar uma Copa do Mundo (em 1934, na Itália), o Egito retorna ao torneio após a ausência no Catar. Com o ex-jogador e ídolo nacional Hossam Hassan na área técnica, os Faraós buscam sua primeira vitória na história da competição, após campanhas sem triunfos em 1934, 1990 e 2018. A grande esperança técnica da equipe repousa nos pés do craque Mohamed Salah, municiado por coadjuvantes de peso no futebol europeu, como Omar Marmoush e Mostafa Mohamed.
Tunísia (Grupo H)
A Tunísia consolidou sua relevância regional ao carimbarem a sétima participação em Copas, a terceira seguida. Em janeiro deste ano, a federação tunisiana anunciou a contratação do técnico Sabri Lamouchi para capitanear o time no Mundial. Conhecida pela solidez defensiva, a Tunísia tenta quebrar o tabu de nunca ter passado da primeira fase. A equipe carrega a honra histórica de ter conquistado a primeira vitória do continente em Copas (em 1978) e vem embalada pelo triunfo por 1 a 0 sobre a França na última edição.
Gana (Grupo I)
A seleção de Gana confirmaram o passaporte para o Mundial pelo segundo torneio consecutivo. Visando o torneio na América do Norte, a equipe passou por uma mudança de comando de impacto: o experiente treinador português Carlos Queiroz assumiu o time com a missão de reestruturar a competitividade ganesa. Em sua quinta Copa do Mundo, Gana busca reviver os dias de glória de 2010, na África do Sul, quando alcançou as quartas de final e acabou eliminada pelo Uruguai em uma das partidas mais dramáticas e memoráveis da história do esporte.
Argélia (Grupo J)
A Argélia garantiu o retorno ao torneio após ficar de fora das duas últimas edições. Sob o comando tático do bósnio Vladimir Petkovi, a Argélia chega à sua quinta participação em Mundiais. O país tem muita tradição na competição: foi a primeira seleção africana a vencer uma equipe europeia (2 a 1 contra a Alemanha Ocidental em 1982, com o histórico gol de calcanhar de Rabah Madjer) e alcançou sua melhor campanha em 2014, no Brasil, quando caiu nas oitavas de final diante da eventual campeã Alemanha, na prorrogação.