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Espetáculo questiona visão tradicional sobre o circo em temporada no Recife

"Isso Não é Um Número de Circo" investiga criação, processo e expansão das possibilidades da linguagem do circo em apresentações no Recife

Por Allan Lopes

"Isso Não É Um Número de Circo" retorna aos palcos do Recife com nova dramaturgia

Entre cordas suspensas, humor e provocações sobre os limites da linguagem circense, a Cia Devir retorna aos palcos com uma nova versão de “Isso Não é Um Número de Circo”. Reformulado desde a estreia original, em 2022, o espetáculo aprofunda a pesquisa da dupla formada por João Lucas Cavalcanti e Vitor Lima sobre um circo que dialoga com o teatro, a dança e a performance contemporânea.

A nova temporada começa nesta sexta-feira (15) e sábado (16), com novas sessões nos dias 28 e 29 de maio, sempre às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Após as apresentações, o público participa de rodas de diálogo com os artistas.

O título da montagem já surge como uma provocação. Inspirado na lógica do “isso é e não é”, presente na icônica obra “Isto Não é Um Cachimbo”, do pintor René Magritte, o espetáculo brinca com as expectativas em torno do circo e tenta ampliar as possibilidades da linguagem para além do imaginário mais tradicional.

“Há uma percepção coletiva muito forte principalmente ligada aos circos de lona, às experiências da infância e aos elementos que fazem parte desse universo. O espetáculo parte dessa memória, mas tenta abrir espaço para outras formas de pensar e fazer circo”, explica Vitor Lima.

A obra nasceu em 2022 a partir de experimentações com a Multicordas, um aparelho composto por um conjunto de cordas suspensas e ainda pouco difundido dentro da linguagem circense. Desde então, a Cia Devir passou por transformações que também impactaram diretamente o espetáculo.

João Lucas Cavalcanti define a montagem como “o novo primeiro espetáculo” da companhia, agora mais madura artisticamente e cercada por uma equipe maior de colaboradores. “Hoje, o espetáculo consegue se comunicar de forma mais fluida e acolher melhor o público dentro dessas provocações”, celebra o artista.

Acessibilidade e formação
A democratização do acesso à arte e a formação de público estão entre os pilares das práticas do grupo. Neste projeto, todas as sessões serão seguidas por rodas de diálogo com o público, criando um espaço de troca sobre processos, percepções e o compartilhamento das experiências da montagem. Em parceria com a VouSer Acessibilidade, a sessão do dia 16 de maio contará com recursos de acessibilidade para pessoas surdas, cegas e com baixa visão, com intérprete de Libras e audiodescrição.