Pabllo Vittar comemora 10 anos de carreira no Recife: "A comunidade LGBTQIAPN+ sempre foi vanguarda"
Neste sábado (9), Pabllo Vittar se apresenta na festa Gola20, que acontecerá no Centro de Convenções, no Grande Recife, a partir das 20h. A artista fará show non-stop para comemorar os 10 anos de carreira. A programação ainda conta com show de Tati Quebra Barraco
Quando surgiu em 2015 com a música “Open Bar”, a maranhense Pabllo Vittar deixou o público intrigado com a versão pagode do hit “Lean On”, do projeto norte-americano Major Lazer. Embora adaptações brasileiras de sucessos internacionais fossem comuns, a aproximação de uma drag queen com cenas musicais dominadas por artistas heteronormativos ainda era uma novidade, que a cantora ajudou a consolidar pouco depois trazendo também o forró eletrônico para “K.O” e o tecnobrega para “Corpo Sensual”, ambas de 2017. Agora, depois de seis discos de estúdio que diminuíram a distância entre o pop e os ritmos do Norte e Nordeste, ela repassa a primeira década da sua carreira em show “non-stop”, que chega ao Grande Recife neste sábado (9), dentro da festa Gola20, no Centro de Convenções de Pernambuco.
“Sou uma artista nordestina e não saberia fazer música pop de outra maneira”, diz Pabllo em entrevista exclusiva ao Diario. Ela acredita que, mesmo que a mistura dos universos culturais pudesse soar inusitada em um primeiro momento, o público se interessaria pelo seu trabalho por se tratar de uma proposta que transmite sua essência. A aposta deu tão certo que a artista também conquistou terreno internacional, tornando-se a primeira drag a se apresentar no festival norte-americano Coachella, em 2022, e a figurar entre as músicas mais ouvidas do mundo com “Alibi”, em parceria com Sevdaliza e Yseult. “É incrível ver a música brasileira alcançando espaços tão importantes em todo o mundo. Temos artistas muito talentosos do pop, do funk e de outros gêneros que estão se destacando cada vez mais no exterior”, avalia.
Independente do estilo musical, ela também comemora que artistas LGBTQIAPN+ estejam ocupando cada vez mais espaços, embora considere que muitos ainda não são devidamente reconhecidos pelos seus trabalhos. “A comunidade LGBTQIAPN+ sempre foi vanguarda quando se fala de arte, né?”, destaca. Não é à toa que a maranhense já convocou uma equipe de produtores e compositores da comunidade para preparar o seu sétimo álbum. “Estamos fazendo um trabalho incrível”, adianta.
Antes de alcançar a fama, a drag se apresentou diversas vezes na boate recifense Metrópole e explica que, por conta dessa relação antiga com a cidade, a passagem da turnê comemorativa por Pernambuco era indispensável. “Tenho um carinho muito grande por Recife! É uma cidade que me abraça desde o início da minha carreira”, aponta. Com o sucesso, a artista estreitou ainda mais os laços com a cidade, onde veio gravar o videoclipe de “Vira Lata”, com João Gomes, além de fazer shows no Marco Zero, festival Rec Beat e Galo da Madrugada durante o carnaval.
NON-STOP
Pabllo explica que a proposta do show "non-stop”é parecido com a de um DJ set, mas com o adicional da performance ao vivo. Dessa forma, o repertório deve contemplar toda a carreira da cantora, incluindo músicas lado B, que nunca foram tocadas ao vivo antes. “Sempre quis um show assim, que entrega uma dinâmica diferente do usual, sabe? É dançante pra quebrar tudo”, conclui a drag. Além dela, a festa Gola20 também conta com show da carioca Tati Quebra Barraco e DJs. Os ingressos custam entre R$ 120 (meia) e R$ 330 (open bar).
Leia a entrevista na íntegra abaixo:
Em 2025, você estreou o projeto “Club Vittar”, com o qual atuou como DJ, inclusive na abertura do show da Lady Gaga em Copacabana. Como essa experiência se diferencia de um show convencional para você e como isso pode ter acrescentado ao seu crescimento como artista?
O Club Vittar é completamente diferente dos meus shows porque é o momento em que me apresento para o público como DJ, é onde mostro uma outra faceta minha. E tudo começou de uma forma super despretensiosa! Sempre gostei de discotecar, em algumas festinhas que fazia com amigos e tal. Partindo disso pensei que seria uma maneira diferente que tenho para me conectar com os meus fãs, tocando as minhas músicas, mas também músicas que gosto de escutar, canções de artistas que eu gosto.
A proposta de um show “non-stop” é reflexo desse último projeto? O que te inspira para fazer esse formato e por que ele foi o escolhido para celebrar os seus 10 anos de carreira?
O show de 10 anos de carreira é uma celebração dessa primeira década e uma viagem pela minha discografia. O formato non-stop é muito legal e é a primeira vez que faço shows dessa maneira. Sempre quis um show assim, que entrega uma dinâmica diferente do usual, sabe? É um show animado, dançante, pra quebrar tudo!
Você pode ser considerada uma das primeiras artistas a levar a música nordestina para o universo pop, conquistando um público novo para ritmos como o arrocha, forró eletrônico e brega. Você nota que o cenário musical brasileiro mudou muito depois que você trouxe essa proposta? Acredita que o público está mais aberto para a música nordestina?
Sou uma artista nordestina e não saberia fazer música pop de outra maneira! As sonoridades do Norte e Nordeste estão presentes no meu trabalho desde meu primeiro single e continuarão presentes pra sempre! É uma parte de mim, sabe?
Mesmo fazendo um som pop com tantas referências autenticamente brasileiras, você também conquistou um público internacional que te permitiu se apresentar no Coachella, vencer prêmios no EMA, fazer parceria com Sevdaliza e se apresentar com Madonna. Por que você acha que conseguiu estabelecer um diálogo com tanta gente internacional?
Levar a minha música para shows e premiações em outros países é algo que me deixa muito feliz. Quando você faz algo com verdade e mantendo a sua essência, isso desperta o interesse do público. E é incrível ver a música brasileira alcançando espaços tão importantes em todo mundo. Temos artistas muito talentosos do pop, do funk e de outros gêneros que estão se destacando cada vez mais no exterior.
Lembro de você se apresentando na boate Metrópole, aqui no Recife, quando ainda não tinha grande alcance nacional. Além disso, você também já regravou músicas que fazem parte do repertório urbano da cidade, como “Ânsia”, e usou o brega funk na base de sucessos como “Parabéns”. Qual é a importância da capital pernambucana na sua carreira?
Tenho um carinho muito grande por Recife! É uma cidade que me abraça desde o início da minha carreira! É um público que sempre me recebe de forma muito calorosa. É uma cidade vibrante, com uma cultura forte, uma culinária maravilhosa e pessoas super legais! Já gravei clipe em Recife, cantei no Marco Zero, Rec Beat e Galo da Madrugada e sempre levo meus shows para a capital pernambucana. É uma cidade que tem uma importância enorme na minha carreira e por isso não podia ficar de fora da minha tour de 10 anos!
Os artistas LGBTQIAPN+ também vêm ganhando cada vez mais destaque no cenário musical brasileiro. Hoje temos Urias, Liniker, Gloria Groove, Irmãs de Pau, Linn da Quebrada, Jup do Bairro, entre várias outras que são apontadas pela crítica, muitas vezes, como umas das artistas mais inovadoras do cenário nacional. O que você acha que proporcionou esse reconhecimento? E o que ainda falta para serem mais populares?
A comunidade LGBTQIAPN+ sempre foi vanguarda quando se fala de arte, né?! Além de estar à frente de muitos outros movimentos em que não recebemos os créditos! Mas fico muito feliz de estarmos ocupando cada vez mais espaços que são nossos de direito, sabe?
Em 2026 vai fazer dois anos desde que você lançou seu último álbum, “Batidão Tropical 2”, já planeja um novo trabalho? Se sim, o que o público pode esperar de um novo disco seu?
Estou trabalhando no meu novo álbum, o PV7. Vai ser o sétimo álbum da minha carreira e está vindo aí! Estou ansiosa para contar tudo para vocês desse novo trabalho, mas o que posso adiantar é que montei uma equipe de produtores e compositores da comunidade LGBTQIAPN+ e estamos fazendo um trabalho incrível.