Mostra BrLab chega ao Recife com programação que integra cinema brasileiro à América Latina
Recife recebe, no Cinema da Fundação (Museu), a 15ª edição da mostra gratuita BrLab, que integra em sua programação filmes brasileiros e de outros países latino-americanos
Esta semana, o Recife vai receber, no Cinema da Fundação, um dos principais projetos de desenvolvimento audiovisual da América Latina. É o caso da mostra gratuita da 15ª edição do BrLab, que reúne uma seleção de filmes que exploram dramas sociais contemporâneos por meio de perspectivas familiares e femininas. A programação terá início nesta terça-feira (5), às 16h, com a exibição de “Ainda Não é Amanhã”, filme pernambucano dirigido por Milena Times, em sua estreia em longa-metragem, que fala sobre uma jovem de 18 anos (Mayara Santos), da periferia recifense, que enfrenta uma gravidez não planejada.
Outro destaque, na sequência, é o drama peruano “Diógenes”, de Leonardo Barbuy La Torre, no Cinema do Museu, às 17h40, sobre dois irmãos que perdem o pai — um pintor que os isolava em casa — e partem em busca de seu passado. Já o filme equatoriano “Hiedra”, da diretora Ana Cristina Barragán, tem sua sessão marcada para a quinta-feira (7), às 19h30, e trata de uma mulher que quer restabelecer contato com um filho que abandonou ainda bebê, após engravidar aos 13 anos.
Rafael Sampaio, criador da mostra, diz que o projeto se inspirou em outros espaços que começaram a surgir ao redor do mundo. “Sentimos a ausência de propostas desse tipo no Brasil, voltadas para a articulação de talentos do cinema brasileiro em um ambiente pensado para o desenvolvimento criativo e econômico, bem como para a internacionalização do cinema, dos profissionais e da cultura nacional”, explica, em entrevista ao Diario.
A mostra, portanto, visa conectar a produção brasileira ao ecossistema ibero-americano e, de acordo com os idealizadores, vem tentando preencher uma das principais lacunas de incentivo ao audiovisual. “Rapidamente, essa iniciativa se afirmou como uma referência estratégica para profissionais da região, já que são espaços bastante importantes para essa indústria. Um filme demanda muito trabalho antes de sua produção, e o desenvolvimento criativo e estratégico de uma obra, em seus aspectos artísticos, técnicos e produtivos, é fundamental para o seu sucesso”, aponta Rafael.
Integrando iniciativas como o Acordo Latino-Americano de Coprodução e o Programa Ibermedia, que têm o objetivo de fortalecer a articulação regional, o Brasil vem viabilizando estratégias de financiamento centrais para a realização de filmes, enfrentando principalmente o desafio da circulação dessas obras dentro da própria América Latina.
O idealizador do BrLab acrescenta que esses mecanismos colaboram para a integração do país com seus vizinhos. “No cinema, esse processo é mais lento, mas essencialmente estrutural: depende de cooperação contínua para que a região amplie sua presença e circulação no mundo”, reforça ele. “É um momento essencial de incubação, no qual os encontros e consultorias permitem aprimorar e validar ideias, amadurecer narrativas, além de pensar e desenvolver estratégias e redes de apoio que possibilitem que os filmes sejam feitos, lançados e cheguem aos seus públicos em diferentes territórios”.
Uma obra importante na representatividade desta edição é “Amor, Plástico e Barulho”, da cineasta recifense pioneira Renata Pinheiro, considerado o primeiro longa de ficção dirigido por uma pernambucana a ser lançado comercialmente. Com roteiro do saudoso Sérgio Oliveira e protagonizado por Maeve Jinkings no papel de uma cantora de brega, o filme será exibido na sexta-feira (8), às 19h30.
“Este é, sem dúvida, um momento em que o cinema brasileiro — e o pernambucano, em particular — assume um papel de protagonismo no cenário. A edição deste ano evidencia não apenas conquistas recentes, mas também a celebração de um trabalho contínuo de cineastas e produtores que, há décadas, vêm construindo um cinema forte, criativo e cada vez mais conectado ao mundo”, exalta Rafael Sampaio.