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Projeto ‘Ato’ promove leituras dramatizadas de textos de teatro célebres

Iniciativa que busca popularizar o formato da leitura dramatizada no Recife, o projeto ‘Ato’ traz a leitura dramatizada da peça ‘Lisbela e o Prisioneiro’, de Osman Lins, à Academia Pernambucana de Letras, neste sábado (11)

Por André Guerra

Raíza Rameh, atriz e produtora, uma das idealizadores do projeto

O diálogo enquanto motor temático e emocional permeia, há anos, a relação do escritor e cineasta pernambucano Felipe André Silva com as artes. Foi a paixão pela força do texto que o motivou a idealizar o projeto “Ato”, uma iniciativa independente que realiza, todo mês, no Recife, uma leitura dramatizada baseada em uma obra distinta.

Completando um ciclo de 12 apresentações e com várias outras já planejadas, o coletivo de profissionais traz, para o próximo sábado (11), às 18h, na Academia Pernambucana de Letras, a dramatização de “Lisbela e o Prisioneiro”, texto icônico originalmente escrito pelo dramaturgo vitoriense Osman Lins. A entrada é gratuita.

Juntamente com a atriz e produtora cultural Raíza Rameh, que também buscava uma proposta artística diferente para a cidade, Felipe André decidiu reunir atores com quem já trabalhou em projetos anteriores, sobretudo no cinema. Assim nasceu o Ato, que, na primeira apresentação, em julho de 2025, trouxe a leitura do clássico “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant”, do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder.

“Mesmo dentro do meu mundo, que é o do cinema, meu foco sempre foi o trabalho dos atores — tanto que meu primeiro curta chama-se ‘Diálogo’. A minha curiosidade com as possibilidades do teatro, aliada à vontade de trazer para o público recifense esses títulos contemporâneos, muitos inclusive internacionais, fez o Ato sair do papel e virar uma realidade”, conta.

A leitura dramatizada funciona como uma performance minimalista, em que toda a peça é encenada a partir de um híbrido entre uma versão ensaiada e uma apresentação final. Ao contrário de um ensaio, porém, trata-se de um espetáculo totalmente planejado dessa forma. “A princípio, esse trabalho seria um laboratório de atuação, porque queríamos estar sempre mudando de elenco. Mas acabou virando um grande grupo de pessoas que compartilham desse desejo de realizar experimentos com a leitura”, explica o diretor.

A escolha por esse formato pode parecer um fator limitador, mas o Ato demonstra que a leitura dramatizada, na verdade, abre diversas possibilidades, tanto com relação à caracterização quanto à disposição cênica. “A depender do texto e do público, o tom pode mudar completamente. Nunca fizemos em um espaço tradicional de teatro, então mesmo a nossa relação com o ambiente pode transformar a experiência de quem nos assiste”, acrescenta Felipe André.

Popularizado pela adaptação cinematográfica homônima de 2003, dirigida pelo recifense Guel Arraes, o enredo de “Lisbela e o Prisioneiro” é uma história de amor entre a jovem sonhadora Lisbela, apaixonada por filmes de Hollywood, e Leléu, um malandro em fuga. No elenco estão Nilo Pedrosa, Lucas Vinícius, Karine Ordonio, Pedro Carvalho, Kennyo Severa, Bruna Luiza Barros, Lara Mano, Raíza Rameh, Lucas Carvalho, Inês Maia, David Péricles, Berna e Li Assunção. O projeto não conta com apoio financeiro direto, mas oferece a venda de vinhos e camisas como forma de apoio.

O idealizador aponta ainda a importância de consolidar um público jovem, enfatizando a força que alguns textos têm para fortalecer o papel do teatro na vida das pessoas. “Eu entendo que o dramaturgo queira que seu espetáculo original também seja consumido, claro, mas todos se beneficiam muito com textos conhecidos também. A reticência delas em ir ao teatro pode começar a ser quebrada a partir daí”, salienta, projetando que o Ato deverá crescer nos próximos meses e buscar novas fronteiras.