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Energia açucarada se mantém em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’, programa assumidamente infantil

"Super Mario Galaxy: O Filme" entra em cartaz nesta quarta (1º) nos cinemas, dando continuidade a proposta de agradar aos fãs do jogo, iniciada pelo primeiro filme da franquia, lançado em 2023

Por André Guerra

Três anos atrás, "Super Mario Bros.: O Filme" devolveu aos fãs do Reino do Cogumelo o que, até então, nenhuma adaptação cinematográfica anterior havia conseguido. O sucesso da animação de 2023, que ultrapassou a marca de $ 1,3 bilhão de bilheteria, reflete tanto o impacto deixado em toda uma geração pelo universo do jogo, criado pelo designer japonês Shigeru Miyamoto e lançado em 1985, quanto sua capacidade de permanecer em evidência. "Super Mario Galaxy: O Filme", sequência direta que acaba de entrar em cartaz, reafirma isso, sem novidades.

Nesta continuação, a ameaça enfrentada pelo personagem-título é Bowser Jr., que rapta a princesa Rosalina para utilizá-la como fonte de energia. Na tentativa de resgatá-la, Mario, Luigi, Toad e Peach encaram uma missão que será ainda atropelada pelo retorno de Bowser, agora encolhido, mas desesperado para voltar ao seu tamanho original.

Assim como o filme anterior, "Super Mario Galaxy: O Filme" é dirigido pela dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic, que não economizam nas cores e nos movimentos e aproveitam toda a gigantesca iconografia da série de games. Às vezes, esses elementos são trazidos para criar novos conflitos ou gerar grandes sequências de ação; outras vezes, funcionam como referências para fãs devotados do universo. É uma injeção de açúcar em forma de animação que tende a divertir ou cansar o espectador, a depender de sua relação prévia com o produto original.

Mal existe conflito nos filmes, como se espera de animações para crianças muito pequenas, e é uma pena que "Super Mario Bros" e "Super Mario Galaxy" jamais encontrem um lugar para Luigi no roteiro que não seja de acessório. No primeiro longa, ele era relegado ao núcleo menos interessante e aqui é apenas um fraco coadjuvante.

O notável sobre essas animações de Super Mario, no entanto, não está na construção narrativa e, sim, na criatividade visual para transpor o imaginário bidimensional do jogo para cenários elaborados. O foco da experiência de ambos, no entanto, é assumidamente o público infantil, assim como ocorre em quase todos os filmes da produtora Illumination, responsável por minas de ouro inesgotáveis da indústria, como "Meu Malvado Favorito" e seu derivado "Minions".

A união entre a base consolidada de fãs de "Super Mario" e o tratamento dinâmico e colorido da produtora certamente vai render a maior de todas as galinhas dos ovos de ouro do estúdio, desde que se mantenha uma distância mínima entre um lançamento e outro. De excesso de cor e açúcar em um espaço curto de tempo, já basta o próprio filme.