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Thiaguinho lança 2º ato de ‘Bem Black’ em tributo à música negra: "Os ritmos têm história"

Thiaguinho completa o lançamento do seu álbum ‘Bem Black’, dividido em duas partes, no qual abraça ancestralidades internacionais, mas reafirma a riqueza da cultura negra brasileira

Por André Guerra

A homenagem às vivências e à riqueza da cultura negra brasileira é o norte do novo trabalho de Thiaguinho, o segundo ato do álbum “Bem Black!”, já disponível na íntegra nas principais plataformas. Selecionando os feats de seu 24º álbum, o artista paulista une o instrumental de Walmir Borges com a sonoridade contemporânea de Negra Li e, completando, a força histórica e experiente de Sandra Sá. O resultado, com 9 faixas, amarra o que ele havia começado na primeira parte do projeto, lançada em janeiro deste ano, com outras 11 composições.

Na coletiva de imprensa de lançamento do disco, o cantor fez questão de enaltecer sua paixão por Pernambuco. “É um estado que faz parte significativa da minha carreira, e me sinto realmente em casa. Inclusive, hoje sou cidadão pernambucano, com muito orgulho”, afirma, referindo-se ao título recebido durante sua célebre participação no Samba Recife, em 2025. Está marcado para o dia 23 de maio deste ano o show da turnê do álbum no Classic Hall, em Olinda, e, ainda, no dia 24, o show de “Tardezinha”, na Arena Pernambuco.

Ele enfatiza a necessidade de se manter fiel à consolidação de uma narrativa maior do que as partes, norte para todas as vezes que parte para um álbum novo. “Toda vez que gravo um disco, penso em um conjunto, em uma história completa. Uma música sempre ajuda a outra a fortalecer um conceito, ainda que cada uma tenha sua própria roupa”, ressalta. “No caso de ‘Bem Black’, tanto pensando na primeira parte quanto nesta segunda, algumas conversam mais com jazz, outras com funk, algumas são mais românticas e outras são regravações. Elas têm um swing muito particular, e os ritmos têm história. Espero que cada um se sinta representado”.

Thiaguinho propôs a divisão em duas metades para criar dois diferentes momentos de lançamento nesse começo de ano e, ao que revelou até agora, o plano é lançar em breve uma versão completa com todas as faixas. Menos um álbum pensado pela nostalgia e mais uma proposta de preservação do samba como um dos mais poderosos patrimônios nacionais, “Bem Black” utiliza sua confluência de estilos para abraçar tanto a fase recente do artista, com forte influência internacional, quanto seus primeiros trabalhos.

O artista já vem experimentando a fusão entre inglês e português há mais de 10 anos, com expressões estrangeiras em suas músicas e gravações com versos intercalados. Aqui, no entanto, a intenção dele parece ser abranger as raízes do R&B e do soul americano para, no processo, enaltecer a força da ancestralidade brasileira.

“O samba tem uma força gigantesca no país todo. Por isso que todos os meus trabalhos e shows, de alguma maneira, reforçam essa ideia de preservação das rodas de samba, mostrando para os jovens quem construiu isso tudo”, afirma Thiaguinho. “Fico muito satisfeito em ver tantas pessoas descobrindo o samba a partir das minhas músicas, mas é importante deixar claro que existe um legado, algo maior do que se pensa, por trás de tudo isso”, acrescenta.

Enquanto “Vai Ser Feliz”, “Conversa Gostosa” e “Bem Black” estão entre os principais hits da primeira parte do disco, este segundo ato conta com destaques como a faixa de abertura “Pensamentos Intrusivos”, “Brincando de Namorar”, “Cara de Paz”, “Curtir um Som” (regravação), e “Tudo Acaba em Samba”, faixa de encerramento. Quase todas subvertem a expectativa do pagode, ao mesmo tempo em que reforçam a renovação da cultura preta, central na carreira e no sentimento de Thiaguinho.