MinC anuncia R$ 630 milhões para o audiovisual; PE receberá R$ 24 milhões
A ministra da Cultura Margareth Menezes e autoridades do setor foram recebidas com frevo no Cinema São Luiz, onde anunciaram o fomento para diversos eixos do audiovisual
Nesta quinta (24), o Cinema São Luiz, que virou centro das atenções no estado e no país nos últimos meses, recebeu o evento que anunciou o investimento de R$ 630 milhões para o audiovisual brasileiro. Com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além da secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, da vice-governadora Priscila Krause, e da secretária de Cultura do estado, Cacau de Paula, e da presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Patrícia Barcelos, o lançamento da nova edição do programa Arranjos Regionais reiterou a estratégia do Governo Federal com políticas públicas para fortalecer a descentralização da produção cinematográfica do país.
O bloco Pitombeira dos Quatro Cantos, acompanhado por orquestra de frevo e passistas, abriu a programação na entrada do São Luiz. A apresentação transformou o anúncio em festa e reproduziu a energia, ainda presente no local, da torcida formada ali para a cerimônia da edição do Oscar 2026, no último dia 15 de março.
A ministra Margareth, que nunca tinha vindo ao local, reafirmou seu compromisso com a preservação de outras salas pelo país. “Estou encantada com a beleza dessa sala tão importante para todo o Brasil. Estamos trabalhando para que outros equipamentos históricos como esse sejam protegidos e valorizados”, disse. “Essa iniciativa é um resgate para potencializar o audiovisual em todo o nosso território. Foi esse tipo de investimento que ergueu várias produtoras em diversos estados, além de cineastas que desenvolveram sua voz justamente devido a essas políticas”, disse.
Do fomento de R$ 630 milhões, foram anunciados R$ 24 milhões para Pernambuco, incluindo nesses valores recursos locais e aporte do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). “Eu sou fruto da política pública e só consegui fazer filmes por causa desse tipo de investimento fora dos eixos de produção, que descentraliza a possibilidade de filmar o país em suas diversas dimensões”, ressalta o diretor pernambucano Gabriel Mascaro, que venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim do ano passado, com “O Último Azul”.
O realizador acrescenta: “Temos um desafio muito grande na cultura, por outro lado, que é em relação ao impacto das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs. Precisamos sensibilizar os políticos para proteger o nosso setor, e isso é uma luta suprapartidária”.
Os principais eixos contemplados pelo investimento anunciado são: pesquisa, formação, memória e preservação audiovisual, atividades cineclubistas, desenvolvimento de projetos ou núcleos criativos, produção de curta e média-metragem, produção de animação e conteúdos para a infância e produção de jogos eletrônicos. Em 2025, as inscrições aconteceram por meio de edital, divulgado no site do MinC, o que deve se repetir neste ano.
“Alcançamos, em 2025, o maior volume de investimento da nossa história: 1,41 bilhão de reais no setor, um crescimento de 159% em relação ao ano de 2021. Estávamos com déficit histórico desde a pandemia em relação ao número de salas também, e, no ano passado, alcançamos 3.554 salas de cinema, salientando especificamente o aumento de salas em cidades em que não havia cinema”, informou ainda Patrícia Barcelos, presidente da Ancine.