Oscar 2026: 'O Agente Secreto' perde Melhor Filme para 'Uma Batalha Após a Outra'
Filme acompanha o desespero de um ex-guerrilheiro quando o passado volta para acertar as contas em um contexto marcado por tensões entre supremacistas brancos, ativistas e imigrantes
'Uma Batalha Após a Outra' superou 'O Agente Secreto', de Kleber Mendonça Filho, e ganhou o Oscar 2026 de Melhor Filme neste domingo (15).
Também competiam 'Bugonia', 'F1', 'Frankenstein', 'Hamnet', 'Marty Supreme', 'Valor Sentimental', 'Pecadores' e 'Sonhos de Trem'.
A emocionante história dirigida por Paul Thomas Anderson, que reúne revolucionários de esquerda, supremacistas brancos e centros de detenção de imigrantes na telona, pareceu a muitos espectadores um retrato dos Estados Unidos contemporâneo.
Mas esta sátira política em ritmo acelerado, repleta de explosões, tiroteios, intensas perseguições de carro e fugas de tirar o fôlego, também apresenta romance e humor, e conta uma história comovente sobre o amor incondicional de um pai por sua filha.
Essa poderosa mistura lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme no domingo e as honras da maior noite da indústria, que lhe concedeu seis estatuetas no total.
Anderson, que também ganhou os prêmios de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção, agradeceu ao elenco com quem subiu ao Dolby Theatre para receber o prêmio mais importante da noite.
"Isso é incrível", disse o cineasta.
O aclamado diretor trabalhou com um elenco de peso, incluindo os vencedores do Oscar Leonardo DiCaprio, Benicio Del Toro e Sean Penn, que esta noite também levou para casa mais uma estatueta, na categoria de Melhor Ator Coadjuvante.
O filme também contou com Teyana Taylor em uma atuação explosiva que a lançou ao estrelato, rendendo-lhe uma indicação a Melhor Atriz Coadjuvante.
O sucesso do filme parecia inevitável. Embora o filme de terror com vampiros "Pecadores", de Ryan Coogler, tenha liderado as indicações com um recorde de 16, "Uma Batalha Após a Outra" dominou a temporada de premiações.
Inspirado no romance "Vineland", de Thomas Pynchon, o filme acompanha a organização fictícia French 75, um grupo revolucionário de radicais de esquerda que realiza uma série de ações violentas em defesa de causas liberais.
"Não vai desaparecer"
Uma perseguição de carro frenética pelo deserto da Califórnia, uma adolescente escondida em um convento isolado, Del Toro como um sensei calmo e com "timing" perfeito que ensina karatê e salva imigrantes nas horas vagas: cena após cena, o filme mantém o espectador entretido do início ao fim.
É o primeiro grande filme de Anderson em duas décadas ambientado nos dias atuais, mas o cineasta americano insiste que seu trabalho não se passa especificamente neste momento em particular.
"O maior erro que eu poderia cometer em uma história como essa seria colocar a política em primeiro plano", disse ele ao jornal Los Angeles Times no ano passado.
"É preciso se preocupar com os personagens e dar grandes reviravoltas em termos dos arcos emocionais das pessoas (...). Isso é algo que nunca sai de moda. Mas o fascismo também não", acrescentou.
"Não estou tentando minimizar o que está acontecendo agora", disse ele na entrevista. "Mas também estou tentando dizer que a pior parte é que isso não vai desaparecer".