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Como a derrota de Timothée Chalamet no Bafta pode aumentar as chances de Wagner Moura no Oscar

Considerado o maior concorrente de Wagner Moura na disputa pelo Oscar, Timothée Chalamet perdeu o prêmio de Melhor Ator do Bafta para Robert Aramayo (de "I Swear"), deixando corrida da categoria ainda aberta

Por André Guerra

Corrida do Oscar de Melhor Ator segue indefinida — e Wagner Moura pode se beneficiar da queda de Timothée Chalamet

No último fim de semana, ocorreu a 79ª premiação da Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão, o Bafta, e, apesar de o Brasil não ter vencido nenhuma das quatro categorias em que estava indicado, alguns resultados em diferentes categorias indicam que “O Agente Secreto” pode estar em movimento crescente na temporada. O maior dos sinais foi a surpresa na categoria de Melhor Ator, na qual o então favorito Timothée Chalamet (de “Marty Supreme”) perdeu para Robert Aramayo (de “I Swear”), o que pode abrir caminho para Wagner Moura.

O ator brasileiro não estava na lista de indicados do Bafta, mas uma eventual vitória de Timothée Chalamet fortaleceria ainda mais o astro norte-americano, considerado seu principal concorrente no Oscar. Aramayo — que acabou prevalecendo por sua atuação no drama que retrata a história real de John Davidson, um escocês com síndrome de Tourette — não concorre ao grande prêmio da Academia, o que mantém a disputa aberta na categoria.

Sem o esperado troféu de Chalamet, “Marty Supreme” saiu sem nenhum prêmio do Bafta, tornando-se um dos filmes derrotados em mais categorias na história da premiação. Ao todo, o filme foi indicado a 11 categorias e perdeu em todas elas, empatado com “Mulheres Apaixonadas” (1969) e “Em Busca da Terra do Nunca” (2004).

O dado que pode desempatar ou bagunçar ainda mais esse jogo é o Actor Award (antigo SAG Awards), que ocorre neste domingo (1º). Wagner Moura também não está indicado a essa premiação, que muito raramente reconhece interpretações em língua não inglesa. A derrota recente de Timothée, porém, aumentou a incerteza sobre o favoritismo do ator, que venceu na última edição do SAG por seu papel como Bob Dylan em “Um Completo Desconhecido” (e nunca antes um mesmo ator venceu a categoria por dois anos consecutivos).

Sites especializados na temporada de premiações, como o GoldDerby, já consideram arriscada a aposta em Chalamet, levantando a hipótese de que o mais experiente Ethan Hawke (citado no Bafta pelo vencedor Robert Aramayo em seu discurso) pode estar passando à frente por sua atuação na cinebiografia “Blue Moon”, sobre o letrista Lorenz Hart. Michael B. Jordan, que interpreta gêmeos no terror “Pecadores”, e Leonardo DiCaprio, que protagoniza o thriller de ação “Uma Batalha Após a Outra”, também podem surpreender.

A matemática favorece o Actor Award: nas últimas 10 edições, apenas três vezes o prêmio não coincidiu com o Oscar. O vencedor da cerimônia deste domingo (1º), portanto, sairá na frente. E, se não for Chalamet, a divisão de vitórias pode favorecer Wagner Moura, que levou um dos principais prêmios da temporada, o Globo de Ouro de Melhor Ator — Drama.

O Bafta é considerado um dos principais termômetros para o Oscar, não apenas por se tratar de uma das mais antigas e tradicionais premiações televisionadas, mas porque vários membros da Academia Britânica também votam na Academia de Hollywood. “O Agente Secreto”, que estreou no Reino Unido apenas na última semana, estava indicado a Melhor Filme Internacional — categoria vencida por “Valor Sentimental” — e a Melhor Roteiro Original, em que prevaleceu “Pecadores”.