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Exposição fotográfica evoca espírito revolucionário da história de Frei Caneca

Projeto do jornalista e fotógrafo Rodrigo Asfora, "Passos de Frei Caneca — O Homem da Revolução" utiliza 12 fotos para evocar um dos maiores marcos da história pernambucana

Por André Guerra

Lembrar ao público a importância e a influência revolucionária de uma das principais figuras da história pernambucana foi o ponto de partida do jornalista e fotógrafo Rodrigo Asfora, que acaba de inaugurar a exposição fotográfica "Passos de Frei Caneca — O Homem da Revolução", que segue aberta ao público gratuitamente no Shopping Tacaruna até o dia 20 de março. Uma pesquisa que começou há cerca de um ano culminou em um difícil trabalho de curadoria, o qual resultou em 12 fotos, entre imagens coloridas e em preto e branco, que exprimem alguns elementos fundamentais do personagem real.

Com mais de 20 anos de experiência no jornalismo, com trabalhos também voltados para o audiovisual, Rodrigo Asfora já realizou outras exposições fotográficas de destaque, a exemplo de “Wunderbar” e “Lentes Poéticas”, projetos em que também buscou conectar a linguagem visual a narrativas históricas a partir de uma perspectiva particular e íntima sobre o tema. Não é diferente com Frei Caneca, figura que, segundo ele, não é suficientemente conhecida pelo grande público em toda a sua dimensão.

“Em 1817, ele bateu de frente com a Coroa portuguesa, já tinha pensamentos libertários e revolucionários que ficaram marcados em nível nacional, e ele nasceu aqui no Recife”, afirma. “O mais complexo foi reunir as fotos para contar essa história dele em apenas 12 fotografias.

Rodrigo conversou com pesquisadores do Museu do Recife e foi ainda ao Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, prédio que, durante a Confederação do Equador, funcionava como a antiga Cadeia Pública, onde o próprio Frei Caneca ficou preso até ser retirado da prisão para ser executado por fuzilamento, em 13 de janeiro de 1825, no Forte das Cinco Pontas. “Decidimos trazer os locais e fatos mais importantes da vida dele aqui em Pernambuco. No ano passado, completaram-se 200 anos da morte dele e da Confederação do Equador, marco histórico em que o espírito libertário e corajoso do povo pernambucano se revela em sua essência”, destaca o jornalista.

Em julho de 2025, uma estátua de Frei Caneca foi inaugurada na Praça da República, em frente ao Palácio do Campo das Princesas. Movimento reativo à política centralizadora e monarquista do governo de Pedro I, excessivamente vinculado aos interesses portugueses, a Confederação do Equador foi consequência da Revolução Pernambucana de 1817 e terminou com a repressão violenta aos revoltosos. Caneca, considerado mentor intelectual da revolta, teve um dos desfechos mais brutais.

“Entre as fotos mais importantes da exposição, eu destaco uma que tirei do arcabuz, uma das armas responsáveis pelo fuzilamento dele”, conta Rodrigo. “Eu espero que, por ser um projeto aberto e gratuito, em um ambiente tão acessível, as pessoas se interessem em mergulhar nessa memória tão definidora da nossa identidade pernambucana por meio do que as fotografias evocam”.