Rapper Djonga denuncia agressão policial contra fãs no Rec-Beat; festival diz que adotará medidas
Rapper usou as redes sociais para denunciar violência de agentes após apresentação; organização do evento promete apuração
O rapper Djonga usou o seu Instagram, na manhã desta quarta-feira (18), para denunciar agressões praticadas por agentes da Polícia Militar contra o público que assistiu ao seu show no festival Rec-Beat, na noite desta terça. A apresentação encerrou a edição comemorativa de 30 anos do evento.
Na postagem, Djonga publicou um vídeo que flagra o momento em que policiais inicialmente abordam o público durante o show. As imagens mostram os agentes circulando entre os fãs, que apenas pulavam e curtiam, sem qualquer indício de confusão. O rapper precisou intervir pessoalmente para explicar aos policiais que aquela era a dinâmica natural da apresentação e que não havia justificativa para a abordagem.
Minutos depois de deixar o palco, porém, Djonga foi informado de que seus fãs estavam sendo agredidos. Ele classificou a ação como violenta e desproporcional. "Não vi nada de errado acontecendo. Mas, se tivesse, o certo não era agredir. Agredir não é cumprir a lei", escreveu Djonga.
Rec-Beat repudia ação
Em nota oficial, o Rec-Beat manifestou repúdio à violência praticada pelos agentes e solidariedade às pessoas agredidas. A organização afirmou que não houve qualquer incidente provocado pelo público até o momento da intervenção policial e que adotará medidas para que os fatos sejam apurados.
"Ao longo de três décadas, o Rec-Beat se consolidou como um espaço pacífico, de convivência democrática, diversidade estética e respeito às diferenças. Nosso compromisso é com a arte, com a liberdade de expressão e com a construção de espaços públicos de convivência cidadã", diz um trecho da nota.
Posicionamento da Polícia Militar
Procurada pelo Diario de Pernambuco, a Polícia Militar se manifestou sobre as denúncias por meio do BPTur (Batalhão de Policiamento Turístico). Em nota, a corporação informou que, de acordo com o histórico do boletim de ocorrência, a equipe policial interveio inicialmente para cessar uma "ocorrência de vias de fato envolvendo diversos indivíduos" que estariam cercando a patrulha que atendia a situação no local.
Segundo a PM, foi necessário o uso "moderado e progressivo da força" para conter o tumulto, garantir a integridade física da equipe e realizar a prisão de um indivíduo que resistia ativamente. Uma pessoa foi conduzida por desacato e resistência.
A nota ressalta ainda que qualquer cidadão que se sentir prejudicado por ações ou atos de um policial militar pode recorrer às esferas correcionais através da Corregedoria-geral ou da própria corporação. A Polícia Militar destacou que já foi instaurado procedimento cabível na Corregedoria para apuração do caso.