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Olinda deve publicar decreto de harmonia entre agremiações de frevo e de samba nesta quarta (11)

Prefeitura de Olinda diz que está construindo decreto de harmonia entre agremiações de frevo e de samba de forma conjunta com os segmentos. Documento deve ser publicado na tarde desta quarta-feira (11).

Por Camila Estephania

Patusco em Olinda

Após as agremiações de frevo demonstrarem incômodo com as atividades das baterias de samba no Sítio Histórico de Olinda, a gestão municipal comunicou que vai publicar um decreto na tarde desta quarta-feira (11) para resolver o impasse. “Está sendo publicado um decreto construído de forma conjunta com os diferentes segmentos, assegurando a convivência harmônica entre as manifestações culturais”, informa a nota da Prefeitura.

Na nota, o município ainda reafirma seu compromisso com a preservação do gênero musical pernambucano como patrimônio imaterial e com o respeito às tradições que fazem do carnaval da cidade uma referência cultural. De acordo com o texto, a gestão mantém diálogo permanente com orquestras de frevo, grupos de bateria e demais agremiações para garantir um carnaval seguro e organizado.

Entenda o impasse

No último mês, maestros e agremiações de frevo vêm denunciando a falta de organização da cidade durante a programação das prévias de carnaval. A principal queixa é de que as atividades das baterias de samba no Sítio Histórico estão travando os cortejos das orquestras de frevo e ofuscando o ritmo, que é tradicional da folia pernambucana.

A Associação das Agremiações de Frevo de Olinda publicou nota sobre o tema no seu perfil do Instagram nesta terça-feira (10) esclarecendo que o ponto de tensão entre as duas cenas musicais não é uma disputa de culturas e que há espaço para todos. Porém, o texto defende a necessidade de adequação das baterias ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de carros de som nas ladeiras.

“Os casarões são antigos, não aguentam aquela pressão sonora. Tem grupos agora com dois paredões de som. Eles deveriam ir para a beira-mar, como houve uma lei ou decreto nos anos 90, que realocou todos os clubes de frevo para a beira-mar de Olinda. Fomos e nos adaptamos. Por que eles não podem ir? Não são sons orgânicos, são eletrônicos, e muitas vezes querem brigar. É isso que acontece”, observa o maestro Lúcio, da Orquestra do Grêmio Henrique Dias.

O presidente da Bateria Auê, PH, indicou que o percurso dos grupos de samba geralmente passa pelo Praça do Carmo, Rua Prudente de Morais, Mercado da Ribeira, Prefeitura de Olinda e Rua 27 de Janeiro, porque é onde se concentra a maior parte dos foliões. “Não é que a gente faz questão de tocar no Sítio Histórico, mas é que todo mundo quer tocar onde tem gente. Poderia haver uma divisão sobre isso: tal dia vai ser o dia do frevo, tal dia vai ser o dia das baterias e escolas de samba”, sugere ele.