° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Relançamento do ‘Guia Comum do Centro do Recife’ resgata memórias e ruínas da cidade

Livro 'Guia Comum do Centro do Recife', de Bruna Rafaella Ferrer, será relançado no Chá Mate Brasília neste sábado (7)

Por Andre Guerra

Relançamento da obra será no Chá Mate Brasília, a partir das 9h

A observação cuidadosa das transformações urbanas da capital pernambucana, agora no coração das atenções e do imaginário do cinema mundial, é parte indivisível da vida de Bruna Rafaella Ferrer há muitos anos.

Em 2015, ela lançou o “Guia Comum do Centro do Recife”, propondo um olhar sobre espaços entrelaçados por incontáveis afetos e incontornáveis memórias. Neste sábado (7), às 9h, no Chá Matte Brasília, no bairro de Santo Antônio, a artista e pesquisadora realiza uma reedição desse material, com direito a uma festa com música e bate-papo no mesmo lugar onde foi realizado o lançamento original.

Quase 400 pessoas participaram de uma campanha de financiamento coletivo para que 500 novos exemplares fossem impressos para essa data comemorativa, que contará ainda com a venda de alguns dos exemplares. Na obra, o leitor é convidado a participar dessa radiografia dos espaços públicos da cidade e, desse modo, abraçá-la com o filtro das suas próprias lembranças.

Em conversa com o Diario, Bruna Rafaella explica que o guia se expandiu para muito além do seu plano inicial. “Eu comecei a pensar nesse projeto em 2013, e ele era mais um mapeamento das ruínas do centro. Foi só em 2015 que a gente lançou, depois de alguns anos de pesquisa e levantamento, esse material maior, que chegou a 40 lugares”, ressalta. “O desejo maior é o de partilhar o registro de uma psicogeografia promovida há uma década, para mostrar um Recife sublime justamente em seu anacronismo, que é essencial para que a cidade fuja de um projeto de progresso padronizante”.

Bruna comenta ainda como a repercussão de “O Agente Secreto” foi central para que a história desses ambientes esteja mais viva do que nunca. “O cinema de Kleber (Mendonça Filho), com todo esse alcance gigantesco de público, mostrou que a gente vive em um tempo espiralar mesmo. Os temas se encontram, as questões do Centro (do Recife) estão sempre voltando de alguma forma, como a gente vê, por exemplo, em Retratos Fantasmas”, destaca.

Esse olhar do guia é, parafraseando o filme do momento, fruto de uma certa “pirraça” também: da teimosia, da resistência e da insistência tipicamente recifense em manter em evidência resquícios, imagens e construções que, tão frequentemente, parecem perdidos no tempo. “As coisas retornam porque talvez nunca tenham sido de fato resolvidas. Falar da cidade, portanto, e de suas transformações é latente para mim”, completa Bruna Rafaella.