Relançamento do ‘Guia Comum do Centro do Recife’ resgata memórias e ruínas da cidade
Livro 'Guia Comum do Centro do Recife', de Bruna Rafaella Ferrer, será relançado no Chá Mate Brasília neste sábado (7)
A observação cuidadosa das transformações urbanas da capital pernambucana, agora no coração das atenções e do imaginário do cinema mundial, é parte indivisível da vida de Bruna Rafaella Ferrer há muitos anos.
Em 2015, ela lançou o “Guia Comum do Centro do Recife”, propondo um olhar sobre espaços entrelaçados por incontáveis afetos e incontornáveis memórias. Neste sábado (7), às 9h, no Chá Matte Brasília, no bairro de Santo Antônio, a artista e pesquisadora realiza uma reedição desse material, com direito a uma festa com música e bate-papo no mesmo lugar onde foi realizado o lançamento original.
Quase 400 pessoas participaram de uma campanha de financiamento coletivo para que 500 novos exemplares fossem impressos para essa data comemorativa, que contará ainda com a venda de alguns dos exemplares. Na obra, o leitor é convidado a participar dessa radiografia dos espaços públicos da cidade e, desse modo, abraçá-la com o filtro das suas próprias lembranças.
Em conversa com o Diario, Bruna Rafaella explica que o guia se expandiu para muito além do seu plano inicial. “Eu comecei a pensar nesse projeto em 2013, e ele era mais um mapeamento das ruínas do centro. Foi só em 2015 que a gente lançou, depois de alguns anos de pesquisa e levantamento, esse material maior, que chegou a 40 lugares”, ressalta. “O desejo maior é o de partilhar o registro de uma psicogeografia promovida há uma década, para mostrar um Recife sublime justamente em seu anacronismo, que é essencial para que a cidade fuja de um projeto de progresso padronizante”.
Bruna comenta ainda como a repercussão de “O Agente Secreto” foi central para que a história desses ambientes esteja mais viva do que nunca. “O cinema de Kleber (Mendonça Filho), com todo esse alcance gigantesco de público, mostrou que a gente vive em um tempo espiralar mesmo. Os temas se encontram, as questões do Centro (do Recife) estão sempre voltando de alguma forma, como a gente vê, por exemplo, em Retratos Fantasmas”, destaca.
Esse olhar do guia é, parafraseando o filme do momento, fruto de uma certa “pirraça” também: da teimosia, da resistência e da insistência tipicamente recifense em manter em evidência resquícios, imagens e construções que, tão frequentemente, parecem perdidos no tempo. “As coisas retornam porque talvez nunca tenham sido de fato resolvidas. Falar da cidade, portanto, e de suas transformações é latente para mim”, completa Bruna Rafaella.