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Gabi da Pele Preta e Revoredo lançam frevo inédito que reverencia universo agrestino

Nesta quarta-feira (4), Gabi da Pele Preta e Revoredo disponibilizam o frevo "A Vida Inteira" em todas as plataformas digitais.

Por Allan Lopes

Revoredo e Gabi da Pele Preta trazem novas perspectivas para o frevo

O frevo de bloco, conhecido por suas letras narrativas e melodias conduzidas por cordas, tem ultrapassado as fronteiras do Recife e de Olinda. Artistas do Agreste, Sertão e Zona da Mata vêm o reafirmando como linguagem viva, potente e contemporânea, carregando em suas composições as narrativas, os sotaques e os afetos de seus territórios.

É nesse movimento de interiorização e renovação que se insere o single “A Vida Inteira”, uma parceria entre os artistas Revoredo, de Garanhuns, e Gabi da Pele Preta, de Caruaru, que está disponível a partir desta quarta-feira (4) nas plataformas digitais.

A canção narra, em três atos, o desaparecimento de Pedro da Silva, um personagem comum, “gente da gente”. Através da voz de Gabi, que carrega ancestralidade e identidade negra em sua interpretação, e da poesia característica de Revoredo, a música transforma uma história de saudade em um canto de esperança, fé e comunidade. O coro ainda conta com as participações de Mayara Pera e Cacaio, reforçando o caráter coletivo do bloco, além da melodia de Rogéria Dera.

Mas o tom desta canção é diferente dos trabalhos anteriores da dupla. Enquanto outros frevos tinham clima alegre e festivo, “A Vida Inteira” chega com uma cadência mais lenta, típica dos frevos de bloco.

Revoredo revela que a música foi influenciada pelo samba “O Meu Guri”, de Chico Buarque, porém com uma narrativa enraizada no universo e na linguagem do interior pernambucano. “Trouxe essa perspectiva para o nosso lugar, com uma linguagem mais coloquial”, conta o artista caruaruense em conversa com o Diario.

A faixa foi desenvolvida a partir da Mostra Reverbo, realizada no Paço do Frevo no final de 2025, que incentivou compositores de várias regiões pernambucanas a criarem novos frevos. “Tem vários Pernambucos dentro de Pernambuco”, constata Revoredo.

Segundo ele, a expansão do frevo significa não apenas novas vozes, mas novas perspectivas sobre o gênero. “É uma forma de enriquecer o vocabulário lírico, estético e sonoro do frevo”, diz.