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Documentário 'Anistia 79' é o grande vencedor da 29ª Mostra de Tiradentes

'Anistia 79', de Anita Leandro, levou o Prêmio Carlos Reichenbach, concedido pelo júri oficial da Mostra de Cinema de Tiradentes ao vencedor da Mostra Olhos Livres, principal competição de longas

Por Andre Guerra

Anita Leandro no palco da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais

Acabou no último fim de semana a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes e o documentário “Anistia 79”, de Anita Leandro, do Rio de Janeiro, foi vitorioso na Mostra Olhos Livres, levando o Prêmio Carlos Reichenbach. O longa, dirigido por Anita Leandro, reúne um precioso material de arquivo que mostra exilados brasileiros da ditadura filmando a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, na Roma de 1979.

"As pessoas em silêncio assistindo a esse filme, um filme difícil, sobre um assunto difícil, e parecia uma liturgia. Foi a sessão mais importante que já presenciei na minha vida”, disse a cineasta ao receber o troféu no palco.

O filme também conquistou o Prêmio de Melhor Longa do Júri Popular e, em seu discurso, a diretora disse que espera que esse reconhecimento ajude a distribuição do filme, com um tema tão central no debate público e político dos últimos anos, nas salas de cinema comerciais.

Já o Prêmio de Melhor Curta da Mostra Foco foi dado a “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK. O júri oficial atestou que o filme “fala de cinema, preservação, gentrificação das cidades e precarização do trabalho com pitadas de absurdo e uma poética gigante”.

Já o Prêmio Canal Brasil de Curtas foi para “Grão” (RS), dirigido por Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, reconhecido por “desconstruir estereótipos” e por retratar “uma juventude emparedada numa melancolia invisível, atolada num deserto de oportunidades”, abrindo espaço para que “uma juventude made in favela possa ousar sentir”, segundo justificativa dos jornalistas votantes.

O Prêmio Helena Ignez – Destaque Feminino ficou para para Gabriela Mureb, pela direção do curta-metragem “Crash” (RJ). O júri oficial destacou que a obra “nos faz repensar o uso do som e o modo de ver uma imagem”, propondo uma experiência estética e política que “opera uma síntese entre o estético e o político em um único objeto”.

O Prêmio do Júri Jovem, escolhido por estudantes dentro dos longas da Mostra Aurora, foi dado a “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha, definido como um filme que “imagina outros caminhos para a realidade” e aposta no experimental como desvio frente à literalidade dominante das imagens.

O Prêmio Abraccine de Melhor Longa da Mostra Autorias, dado por integrantes da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foi dado a “Atravessa Minha Carne” (GO/DF), de Marcela Borela, elogiado pelo “rigor formal na montagem e no desenho sonoro” em diálogo com uma escrita fotográfica livre e sensorial.
Pelo Júri Popular o prêmio de curta-metragem foi para “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena.

Na Mostra Formação, o júri concedeu Menção Honrosa a “Diálogo Bulbul”, dirigido por Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos, por “abrir caminhos na história do cinema brasileiro” ao deslocar o arquivo para uma dimensão crítica e experimental.

O melhor filme da Mostra Formação foi “De Barriga para Cima” (ES), realizado pela equipe do Instituto Marlin Azul em conjunto com moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre, reconhecido por “costurar relações e sonhos no ato fílmico” e abrir “espaços de invenção e fabulação impulsionados pelos afetos”.