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Lucinha Guerra resgata diversidade musical de Jackson do Pandeiro em show atemporal

Nesta terça-feira (20), a cantora Lucinha Guerra apresenta o espetáculo "Do Jackson ao Pandeiro", na Caixa Cultural, abrindo a agenda do projeto neste ano

Por Allan Lopes

Cantora Lucinha Guerra presta tributo a Jackson do Pandeiro

O legado de Jackson do Pandeiro é maior que a soma de suas 400 composições. Ele vive, na verdade, em cada um dos ritmos que dominou com maestria: baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, frevo, maracatu e samba. É uma diversidade que desafia qualquer comparação até os dias de hoje.

Cabe aos seus admiradores, portanto, mantê-la viva e em movimento, como faz a cantora recifense Lucinha Guerra no espetáculo "Do Jackson ao Pandeiro", nesta terça-feira, às 19h30, na Caixa Cultural, dentro da programação do Janeiro dos Grandes Espetáculos. Os ingressos, por sinal, já estão esgotados.

Assinando a direção artística e musical, Lucinha traça uma linha do tempo do “Rei do Ritmo”, destacando faixas menos conhecidas do seu vasto repertório. É o caso do “Dia de Beijada”, que representa a fase em que o artista se voltou para temas da espiritualidade.

O setlist, porém, também reverencia clássicos consagrados, como “Sebastiana” e “Chiclete com Banana”, totalizando 15 músicas em cerca de uma hora de show, com a produção de Pedro de Castro e participação dos músicos Gabriel dos Anjos, George Rocha, Nelson Brederode, Julho Cruz e Tonynho do Acordeon.

Assim como Jackson, Lucinha canta por paixão, independente do estilo. Formada em Canto pela UFPE, ela transita com naturalidade entre o samba, o forró, o baião e até a música francesa. Mas, para sua voz, nada se compara à obra do mestre paraibano, especialmente “Baião do Bambolê” e a própria “Sebastiana”. “Sou uma pessoa do ritmo, e o Jackson é puro ritmo”, afirma em entrevista ao Diario. Com cinco décadas como ouvinte e mais de 15 anos cantando sua obra, Lucinha segue o redescobrindo a cada novo projeto. “Por mais que eu cante, sempre há novidades, porque ele compôs de tudo”, exalta.

Preservar a memória musical é o cerne do trabalho de Lucinha. Não só Jackson, mas também Luiz Gonzaga, Carlos Fernando e outros ícones ocupam seu repertório em uma escolha consciente. “Eu sempre procuro cantá-los, porque é música pura, clássica, eterna. Precisa ser perene”, justifica.

Em 2019, integrou uma celebração histórica no Festival de Inverno de Garanhuns, ao lado de Silvério Pessoa, Elba Ramalho, Zélia Duncan e Geraldo Maia, pelo centenário de Jackson. Agora, sem uma efeméride específica, ela volta a se dedicar ao Rei do Ritmo. Afinal, como ela mesma afirma: 'É sempre tempo de comemorar o Jackson do Pandeiro”.

Na sua visão, o Brasil não reconheceu Jackson na dimensão devida, nem mesmo em Pernambuco, onde ele morou por cinco anos e despontou como mestre do coco, da embolada, do baião e do frevo, consagrando-se antes de migrar para o Rio. “Ele também é nosso", defende Lucinha. Daí a importância de uma voz feminina pernambucana dialogar com sua primeira fase, ainda pouco explorada. 'A linguagem dele é muito contemporânea, diria que até eterna', acrescenta.

Assim, enquanto Lucinha Guerra subir ao palco, Jackson do Pandeiro terá voz. Ainda que os ingressos desta terça já estejam esgotados, a cantora já prepara a volta do espetáculo no São João. “Ele é paraibano de origem, mas sua música tem alma pernambucana”, diz Lucinha, reafirmando o compromisso de quem faz da memória um ato de resistência e celebração.