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Drag queen Suzy Brasil apimenta história da Branca de Neve em peça com sessões no Recife

Nesta sexta-feira (16), o Teatro do Parque, no Recife, recebe o espetáculo "Suzy Brasil - Uma Noite Horripilante", que traz uma versão cômica da história da Branca de Neve

Por Allan Lopes

Suzy Brasil estrela o espetáculo "Suzy Brasil - Uma Noite Horripilante" como vários personagens

Imagine a madrasta da Branca de Neve que troca a maçã por produtos de sex shop e cria uma maldição que só o beijo de um “'verdadeiro herói heterossexual' pode desfazer”. O espetáculo “Suzy Brasil - Uma Noite Horripilante” traz essa premissa que parece absurda, mas se revela, na verdade, uma sátira inteligente e subversiva baseada no conto de fadas dos Irmãos Grimm, com sessão única nesta sexta-feira, às 20h, no Teatro do Parque, dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. Os ingressos custam R$ R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia).

Longe da inocência das adaptações Disney, o ator Marcelo Souza protagoniza a peça na pele de uma das drag queens mais consagradas do país. Há mais de três décadas, ele dá vida a Suzy Brasil, que já contracenou com o saudoso Paulo Gustavo no humorístico “A vila”, do Multishow, reina nos palcos.

No espetáculo, ela interpreta uma excêntrica contadora de histórias e outros personagens que conduzem a saga nonsense e politicamente incorreta de Branca de Neve, porém sem recorrer às piadas potencialmente ofensivas que marcaram certos períodos do passado. “Hoje a Suzy está bem mais leve, apesar de manter o humor picante”, diz Marcelo, que também é professor de biologia, em entrevista concedida ao Diario.

Neste reino distorcido, a madrasta tenta, insistentemente, envenenar Branca de Neve. No entanto, a princesa foge a um mundo encantado peculiar, guardado pela grande serpente Suruedidi, que os fãs já conhecem do reality de comédia "LOL: Se Rir, Já Era!", disponível no Prime Video.

Cada encontro com os personagens desse mundo, sejam animais falantes ou criaturas bizarras, vira uma oportunidade para o improviso e a quebra da quarta parede. O inesperado, afinal, é o palco natural de Suzy Brasil. “Ela é a rainha do improviso. A gente brinca, se provoca, cria uma história única que só acontece naquela noite”, diz o ator. “É isso que faz a história da Suzy na comédia”, completa.

Marcelo começou a enveredar nos palcos aos 16 anos, em uma peça de temática espírita, e foi inventando personagens femininas por pura diversão em rodas de amigos que Suzy começou a respirar. “Escolhi ‘Suzy’ porque é nome de cachorra. O Brasil é por causa dessa nossa bagunça toda”, conta. A brincadeira virou coisa séria quando ele recebeu um convite para fazer um show como drag queen na entrada de uma famosa boate de Copacabana.

No início da carreira, Marcelo enfrentava o medo recorrente nas idas às boates onde se apresentava e na ameaça latente de agressões e preconceito. Hoje, ele celebra a ascensão das principais expoentes da cena drag, como Pabllo Vittar e Glória Groove, ao status de popstars nacionais, dominando as mais diversas plataformas midiáticas e conquistando o grande público. “As pessoas começaram a mostrar seus trabalhos nas redes sociais, e o mundo todo pôde, finalmente, conhecer uma arte que antes vivia restrita,” destaca.

Antes dessa conquista midiática, porém, veio o trabalho das pioneiras. Nomes como o da própria Suzy Brasil e o da Cinderella de Jeison Wallace, no Recife, desafiaram o humor convencional, levaram a arte drag para a TV e, com isso, prepararam o terreno para a explosão de novas vozes e expressões no mainstream. Agora, a reverberação desse presente que elas ajudaram a criar está influenciando e dando novos sentidos às próprias trajetórias “Ultimamente passei a notar cada vez mais casais heterossexuais na plateia. Acho que a Suzy está, de fato, se tornando a drag da família brasileira”, comemora.