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São João 2026: entenda os cuidados com a compra e uso de fogos nos festejos juninos

Típicos do período de São João, os fogos chamam a atenção da criançada, mas demandam cuidados para serem utilizados de forma segura

Por Nicolle Gomes

Pontos de venda de fogos precisam se adequar às normas técnicas do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE)

Entre as tradições de São João, estão os fogos de artifício. Com cores, tamanhos e preços variados, eles chamam a atenção de adultos e crianças e despertam a curiosidade. No entanto, é preciso estar atento ao adquirir e usar esses produtos, pelo risco de acidentes e queimaduras, especialmente com os pequenos.

É importante estar atento em quais estabelecimentos adquirir esses produtos, destaca o soldado Cazé, do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE). Todos os pontos temporários de venda de fogos de artifício devem estar em conformidade com a Norma Técnica Nº 3.02/2023 da corporação.

“O consumidor deve sempre comprar esses fogos em locais autorizados e regularizados; assim, eles conseguem também evitar produtos que são vendidos de forma clandestina ou sem a identificação. É muito importante verificar se o produto possui instruções de uso do fabricante e se a embalagem está íntegra”, comenta.

O Diario de Pernambuco visitou pontos populares de comércio de fogos no Recife e conversou com quem vende esse tipo de produto. Há regras a serem seguidas e a responsabilidade de orientar a população.

O vendedor Josinaldo Soares, de 48 anos, comercializa fogos há 15. Ele explica como é a organização para essas vendas.

“A gente sempre deve avisar o cliente que é proibido fumar aqui ou soltar fogos. Fazemos toda a segurança medida pelos Bombeiros, que passam para a gente (as orientações) e repassamos para eles. Todo cuidado é pouco com bomba”, comenta.

A também comerciante Eliane Silva, de 42 anos, destaca a responsabilidade de orientar os consumidores. “A gente explica que todos os fogos são perigosos, mas tem como usar com atenção e com os cuidados. Mostramos a validade, quais crianças podem ou não usar, quais fazem barulho por causa dos animais”, compartilha.

Como usar

Ao comprar os fogos, é preciso estar atento à classificação mostrada na caixa do produto. São quatro: A, B, C e D. Sendo “A” os fogos não explosivos e “D” os que causam explosões. Todas as informações necessárias sobre uso devem estar nas caixas.

Para manuseio de crianças, os fogos classificados como “A” são recomendados sob supervisão de um adulto responsável.

“É fundamental que as crianças nunca manuseiem os fogos de artifício sozinhas . O acendimento deve ser feito por um adulto responsável, seguindo as orientações dos fabricantes que vêm na caixa do produto. Além disso, é importante manter a distância após acender o fogo, nunca apontá-lo para pessoas ou animais, não segurar nas mãos e jamais tentar reacender o artefato que falhou”, acrescenta o soldado Cazé.

Mesmo para os adultos, é crucial manter a atenção, destaca o bombeiro. “É perceptível quando a bebida alcoólica é usada de forma excessiva: a falta e a redução da atenção, da percepção do perigo, e com tudo isso acaba aumentando o risco de acidente”.

Por fim, Cazé também fala sobre os locais ideais para acender fogos: o ideal é escolher uma área aberta e sempre ter uma atenção ao ambiente ao redor. As típicas fogueiras juninas devem estar bem longe dos produtos.

“Nunca se deve acender fogos próximos às chamas das fogueiras, materiais inflamáveis, residências, veículos ou redes elétricas. Sempre se deve escolher locais onde não existam fiação e vegetação, um local limpo para que nenhuma faísca, nenhuma ignição desses fogos, cause nenhum princípio de incêndio para a gente evitar qualquer tipo de incidente.

Em caso de incidentes

Conforme antecipado pelo Diario, a ocorrência de queimaduras cresceu 52% no período junino em 2025, quando 70 pessoas foram atendidas pelo setor de queimados do Hospital da Restauração (HR), referência na área.

As internações também cresceram e passaram de 29 para 36 casos, uma alta de 25%. As crianças foram maioria entre as vítimas: 37 contra 33 adultos.

Diante do risco dos incidentes pelo mau manuseio de fogos e também pela exposição às fogueiras, é importante saber como agir nestes casos.

“A primeira ação que se deve fazer é resfriar o local com água corrente em temperatura ambiente, sem aplicar nenhuma substância. E, se houver um possível pano limpo e úmido, pode-se colocar em cima da queimadura para resfriar o local e causar uma sensação de alívio mais imediato”, adiciona o soldado Cazé.

Nos casos em que a queimadura for extensa ou se houver qualquer situação de risco para a vítima, Cazé orienta o acionamento imediato do Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.