Imunizados com vacina contra dengue do Butantan devem ser monitorados, diz SES-PE
Pernambuco aplicou 11.711 doses desde fevereiro deste ano. Profissionais de saúde que receberam o imunizante devem ficar atentos aos sintomas
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) orientou que profissionais de saúde que se vacinaram contra a dengue, nos últimos 21 dias, com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan, realizem acompanhamento em unidades de saúde para monitoramento de possíveis reações adversas. A recomendação ocorre após o Ministério da Saúde determinar a suspensão temporária da vacinação desse público em todo o país.
A medida afeta trabalhadores da Atenção Primária à Saúde com idade entre 15 e 59 anos que participavam da estratégia de imunização iniciada em fevereiro deste ano. Em Pernambuco, 11.711 doses já foram aplicadas e registradas na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
Além da interrupção da vacinação, a SES-PE orientou os municípios a retirarem as doses remanescentes das unidades de saúde e armazená-las nas redes municipais de frio até novas definições do Ministério da Saúde.
“As doses remanescentes nos estoques dos municípios devem ser armazenadas nas redes de frio municipais. Os imunizantes precisam ser retirados das unidades de saúde e concentrados nos programas municipais de imunização, mantendo as condições adequadas de conservação”, explicou a superintendente de Imunizações de Pernambuco, Magda Costa.
A vacinação de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos não será afetada pela decisão, uma vez que o grupo utiliza um imunizante produzido por outro fabricante.
Segundo a SES-PE, os profissionais vacinados recentemente devem observar seu estado de saúde durante três semanas após a aplicação da dose. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Magda Costa destacou que os casos serão acompanhados pelas equipes municipais de vigilância e pelos programas de imunização.
“São realizadas análises laboratoriais e também a avaliação dos atendimentos prestados nos serviços de saúde. Como são profissionais de saúde, eles já têm um entendimento maior sobre sua própria condição de saúde, o que facilita esse acompanhamento”, afirmou.
A orientação da SES-PE também prevê que os municípios reforcem a articulação entre as áreas de imunização, vigilância epidemiológica, assistência à saúde e laboratórios para identificar rapidamente possíveis eventos compatíveis com dengue após a vacinação. Os casos suspeitos deverão ser registrados no módulo ESAVI do sistema e-SUS Notifica, com comunicação imediata às autoridades sanitárias nos casos graves.
Suspensão
A suspensão temporária da vacinação foi adotada pelo Ministério da Saúde após o registro, em nível nacional, de 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue entre janeiro e maio deste ano. O número representa 0,7% do total de pessoas imunizadas.
Desse total, 42 casos apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três foram classificados como graves, incluindo duas mortes que estão sendo investigadas pelas autoridades sanitárias.
Para a superintendente de Imunizações, a decisão do ministério demonstra o funcionamento dos mecanismos de segurança e monitoramento das vacinas.
“É importante reforçar a comunicação com a população sobre o que está acontecendo neste momento. Foi uma decisão difícil, porque toda decisão traz impactos, mas necessária para que seja possível acompanhar mais de perto os casos notificados e investigar eventos relacionados à vacinação. Toda estratégia de imunização tem esse tipo de monitoramento e esse risco precisa ser avaliado de forma responsável”, disse.
A vacina Butantan-DV foi incorporada à estratégia nacional de combate à dengue após passar pelas etapas regulatórias exigidas pelos órgãos competentes. O imunizante chegou no estado de Pernambuco em fevereiro deste ano.
Ele é aplicado em dose única e foi destinado, inicialmente, aos profissionais da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e demais trabalhadores das unidades básicas de saúde.