Obra de embutimento de fios no Centro do Recife causa polêmica com Iphan e irritação dos lojistas
Segundo a Prefeitura do Recife, as obras de escavações da Rua Camboa do Carmo, no centro da cidade, estão temporariamente suspensas até a conclusão e aprovação de relatório técnico exigido pelo Iphan
Uma obra de instalação de redes subterrâneas de energia, telefonia e internet na Rua Camboa do Carmo, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife, vem provocando uma polêmica com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Prefeitura.
Mais do que isso, o atraso na conclusão do serviço gerou irritação por parte dos comerciantes da rua, que viram a redução das vendas, devido à dificuldade de acesso por parte de clientes. Alguns deles chegaram a sofrer quedas na calçada esburacada pela obra.
De acordo com o Iphan, a Prefeitura do Recife foi orientada a paralisar as escavações em profundidade devido à necessidade de adequação do projeto de restauração do Entorno do Conjunto do Carmo às exigências técnicas de arqueologia do Instituto.
Além disso, o Iphan autorizou o fechamento das valas já abertas na obra, iniciada no mês passado, até que toda a documentação necessária seja encaminhada e analisada pelos setores técnicos competentes.
Conforme o Iphan, o fechamento das valas visa não prejudicar a circulação de pessoas, as atividades do comércio local e a segurança dos transeuntes.
Comerciantes e funcionários de lojas ouvidos pela reportagem do Diario de Pernambuco relataram que pelo menos 10 pessoas sofreram quedas ao transitarem pelo local.
Por meio de nota, a Prefeitura do Recife informou que as escavações estão temporariamente suspensas até a conclusão do relatório técnico sobre as escavações já realizadas, que seria um documento de caráter arqueológico para detalhar os materiais já identificados no local.
Além disso, a gestão municipal afirma que as valas abertas foram fechadas por medida de segurança.
Porém, em imagens enviadas pelos comerciantes ao Diario de Pernambuco, é possível ver que os entulhos que estavam espalhados pela rua foram deslocados para frente de lojas que não estão funcionando, com alguns buracos permanecendo abertos.
Ainda conforme a Prefeitura do Recife, a retomada das escavações está condicionada à aprovação dessa documentação, que será encaminhada para análise de setores competentes do Iphan.
Quedas de pessoas
Antes do recolhimento de parte dos entulhos, as pessoas tinham dificuldade de se deslocar pela rua. Uma das pessoas vitimadas pelos buracos foi a vendedora Josenilda Pereira, de 56 anos, que teria se enroscado na tela de proteção da vala.
“Toda essa área que a gente trabalha está um transtorno. Na semana passada, eu ia passando para o consultório que atende os clientes da ótica e enganchei meus pés nessa rede de proteção do buraco. Não me machuquei muito, mas caí igual outras pessoas. Está terrível a situação daqui da rua”, destacou.
Além dos funcionários, clientes e transeuntes também relataram dificuldades de se locomover pela Rua Camboa do Carmo, que é composta basicamente por óticas e lojas de joias.
A maioria das pessoas, para evitar um deslocamento maior, preferem subir nos entulhos que estavam espalhados por toda a rua para conseguir acessar as lojas
O proprietário de uma das óticas também foi vítima de uma queda, chegando a cair por cima dos entulhos e arranhando o pulso.
Queda nas vendas
As quedas não foram apenas das pessoas. O bolso dos comerciantes da Camboa do Carmo também está sendo impactado pela obra.
“Estamos sendo prejudicados por essas obras. Houve uma diminuição na circulação de clientes na rua e, consequentemente, a diminuição nas vendas das lojas. Tudo isso traz ainda mais prejuízos para os lojistas que já enfrentam dificuldades”, reclamou a proprietária de uma ótica, Telma Batista, de 66 anos.
Segundo os comerciantes, o estado em que a rua se encontra faz com que as pessoas deixem de passar pela localidade, evitando a procura de preços em uma das cerca de 25 lojas que estão funcionando na Rua Camboa do Carmo.
“Essa obra atrapalha muito as pessoas que normalmente vão fazer pesquisa de óculos e procura de preços. As pessoas estão evitando até entrar na rua por conta dos buracos. Houve uma queda considerável no fluxo de pessoas na rua”, enfatizou o proprietário de outra ótica da rua, Erinaldo Vaz, de 36 anos.