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Segunda etapa das obras da Orla do Recife está atrasada; comerciantes e moradores reclamam

Segundo o prazo inicial da Prefeitura do Recife, a segunda etapa das obras da Orla do Recife deveria ter sido concluída até o mês passado; atraso vem gerando críticas de moradores, comerciantes e frequentadores da praia da Boa Viagem

Por Bartô Leonel

Moradores reclamam da dificuldade de circulação na Orla do Recife

O atraso na entrega da segunda etapa das obras da Orla do Recife, um dos cartões postais da capital pernambucana, vem gerando críticas de moradores e comerciantes de Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana.

A reportagem do Diario de Pernambuco conversou com pessoas que circulam diariamente no calçadão da Avenida Boa Viagem e ouviu muitas reclamações sobre a dificuldade de locomoção no local, afetando a frequência dos banhistas e ocasionando queda nas vendas dos quiosques.

Segundo o cronograma inicial da Prefeitura do Recife, a entrega da segunda etapa, que compreende os trechos entre o Parque Dona Lindu e proximidades da Pracinha de Boa Viagem e do 2º ao 3º Jardim, deveria ter sido finalizada no mês passado.

‘“Essa obra é o maior descaso para os moradores e frequentadores da Praia de Boa Viagem”, disparou Bené Freitas, morador do bairro, que costuma ir com frequência à orla.

Segundo ele, as obras atrapalham o trânsito e a mobilidade das pessoas, principalmente quando se trata de pessoas idosas, como é o seu caso, que tem 75 anos.

“Para realizar caminhadas aqui, na orla, está bastante complicado, principalmente para pessoas idosas, pois em alguns trechos em obras não existe o controle de tráfego de bicicletas e pessoas caminhando”, descreveu.

Bené lembra que os problemas causados pelo atraso na entrega da obra ultrapassam os limites da calçada.

“O trânsito está altamente complicado. Vários trechos ficam interrompidos em determinados horários do dia. Por conta disso, às vezes as motos acabam invadindo a área reservada para os ciclistas e pedestres para tentar escapar do engarrafamento”, reclamou.

Conforme a Secretaria de Projetos Especiais (SEPE) do Recife, a nova previsão é de que a segunda etapa das obras da Orla do Recife sejam entregues até o dia 30 de junho.

Ainda conforme a pasta, o atraso nas obras é decorrente de interferências com redes de infraestrutura antigas, como abastecimento de água, drenagem e energia elétrica e gás, que impactaram o cronograma original.

A SEPE ainda afirma que essas redes de infraestrutura antigas eram de responsabilidade de diferentes concessionárias e órgãos públicos e que, apesar delas estarem mapeadas, a maioria não era georreferenciada, o que dificultava a localização exata, sendo apenas identificadas no momento da escavação.

“Cada interferência exigiu paralisações para replanejamento, desvios e ajustes no projeto, para compatibilizar as novas redes com a infraestrutura já existente no subsolo da orla”, afirma outro trecho da nota da Secretaria.

Dificuldade para quem pratica atividades físicas

Os moradores de Boa Viagem, e dos bairros vizinhos que frequentam a orla, reforçam que a demora na conclusão das obras impacta diretamente nas atividades de caminhada, corrida e ciclismo, colocando em risco quem circula pela beira mar.

Em alguns trechos, ciclistas, corredores, usuários de patinetes elétricos e até máquinas, que estão realizando os serviços, são obrigados a circularem no mesmo espaço.

“Teve uma vez que quase fui atropelada por uma bicicleta nesse trecho provisório”, revelou Iolanda Araújo, de 39 anos.

“Essas obras são extremamente desconfortáveis. Atrapalham muito a mobilidade dos pedestres, principalmente aqueles que praticam corrida, porque você tem que dividir a faixa provisória da orla com bicicletas, patinetes e veículos que estão trabalhando nas obras. Sem contar com os carros que ficam do lado de quem corre”, ressaltou a moradora do bairro do Pina.

Baixa nas vendas dos quiosques

Além dos frequentadores, quem trabalha nos quiosques do calçadão relata queda nas vendas durante os serviços de requalificação e modernização.

Os acessos aos estabelecimentos ficam totalmente acidentados. Em alguns casos, os quiosques ficam “ilhados”, em meio aos serviços de construção civil.

“A movimentação das pessoas no quiosque está mais ou menos porque fecharam recentemente alguns buracos no entorno”, comentou o funcionário de um ponto comercial que não quis se identificar.

“Mas as vendas chegaram a cair 95% por causa da falta de acessibilidade. Já faz meses que começou essa obra e até agora não foi finalizada”, complementou.

Outros trabalhadores e donos de quiosques também relataram a queda nas vendas, o que impacta no pagamento dos aluguéis dos estabelecimentos e dos salários dos funcionários.

O que são essas obras

Essas obras que estão acontecendo no calçadão de Boa Viagem fazem parte da quarta etapa do projeto Orla Parque, que visa implementar uma nova infraestrutura urbana ao longo de oito quilômetros de faixa litorânea do Recife.

Orçado inicialmente em R$ 125,6 milhões, o valor do investimento das obras na Orla do Recife está, segundo a gestão municipal, em R$ 154 milhões.

Segundo a SEPE, já foram entregues 3,8 quilômetros que estão localizados, principalmente, na primeira etapa das obras, entregue com atraso em fevereiro deste ano, que corresponde aos trechos entre a divisa com Jaboatão dos Guararapes até as proximidades do Parque Dona Lindu, e do 2º Jardim até a entrada de Brasília Teimosa.

Já a terceira etapa do projeto ainda está dentro do prazo inicialmente estabelecido, que prevê a finalização das obras até o segundo semestre deste ano.

Ela está localizada entre o 3º Jardim até a Rua Bruno Veloso e da Pracinha de Boa Viagem à Rua Bruno Veloso.

Vale ressaltar que os serviços na orla foram divididos em três etapas, a fim de minimizar os transtornos no entorno das obras.

O que está sendo feito atualmente

No estágio atual, que corresponde às obras feitas na segunda e terceira etapa, estão sendo feitas a requalificação do calçadão, além da implantação de novas redes de esgotamento sanitário, abastecimento de água, drenagem urbana, dados, energia elétrica e gás.

A SEPE destacou ainda que a Avenida Boa Viagem, que tem mais de 100 anos de existência, não conta com rede coletora de esgoto, cuja responsabilidade, segundo a Prefeitura do Recife, é estadual.

Além dessas intervenções, estão sendo feitas a requalificação da Praia Sem Barreiras, com estrutura sanitária adaptada e apoio permanente ao banho de mar assistido.

Também estão previstos o plantio de 600 novas árvores, a instalação de 945 novos postes em LED e a construção de uma estrutura nivelada, que vai conectar a Pracinha de Boa Viagem ao calçadão, por meio de uma travessias mais acessíveis, além da construção de um mirante.

Partes concluídas

Durante a execução do Projeto do Orla Parque, já foram entregues a primeira etapa da reforma da Orla do Recife; 60 quiosques requalificados; reforma dos sanitários já existentes e a construção de mais nove unidades, além da requalificação da infraestrutura do Parque de Esculturas Francisco Brennand

Também foram entregues a requalificação das quadras poliesportivas, de vôlei e de tênis.