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Polícia prende 'Shrek', apontado como gerente do tráfico no Cabo e ligado a integrantes do CV

Segundo os investigadores, o homem vivia em uma espécie de "fortaleza", com portas reforçadas para dificultar ações policiais e ataques de rivais

Por Cadu Silva

Delegado Eduardo Tabosa detalhes informações sobre a prisão do traficante "Shrek"

Um homem de 36 anos, identificado pelo apelido de “Shrek” e apontado como uma das lideranças do tráfico de drogas em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, foi preso nesta quarta-feira (13) durante uma operação da Polícia Civil de Pernambuco.

Segundo os investigadores, o suspeito vivia em uma espécie de “fortaleza”, com portas reforçadas e estruturas adaptadas para dificultar ações policiais e ataques de rivais.

As informações foram repassadas nesta quinta-feira (14), durante coletiva de imprensa concedida pelo delegado Eduardo Tabosa, da 14ª Delegacia de Polícia de Homicídios (DPH) do Cabo de Santo Agostinho, além de outros integrantes da Polícia Civil.

De acordo com a corporação, a prisão ocorreu a partir de uma investigação sobre uma tentativa de homicídio registrada no dia 18 de março. Conforme a polícia, o suspeito teria autorizado a execução do crime, que teria ligação com disputa territorial do tráfico de drogas na região.

“Importante destacar que o crime foi cometido no dia 18 de março, ou seja, a Polícia Civil atuou de maneira rápida até chegar nesses resultados”, afirmou o delegado Eduardo Tabosa.

Fortaleza

Segundo os investigadores, a residência do suspeito possuía portas chapeadas, estruturas metálicas reforçadas e dobradiças robustas como quase 5 milímetros. A Polícia Civil informou ainda que o imóvel vinha sendo reforçado a cada nova investida policial na região.

“O alvo era de alta periculosidade, exercia um domínio de terror sobre os moradores da região. A nossa operação contou com a tropa especializada da Polícia Civil, o CORE, para que a gente conseguisse realmente entrar naquela fortaleza”, afirmou Tabosa.

O delegado Roberto Ferreira, que responde interinamente pela Divisão de Homicídios Sul, afirmou que o suspeito utilizava vários mecanismos para impedir a ação policial e também para se proteger de rivais.

“Foi uma verdadeira fortaleza, na qual ele chumbou as portas, utilizou vários subterfúgios para não ser alcançado pela ação da polícia e também pelos seus inimigos”, declarou.

Ainda segundo a polícia, equipes já tinham conhecimento da dificuldade de acesso ao imóvel após outras tentativas de operações realizadas anteriormente na localidade.

Durante o cumprimento do mandado de prisão, os policiais perceberam movimentações no encanamento da residência e suspeitaram que o investigado estivesse tentando destruir provas.

“No momento em que a equipe estava em diligência, percebemos que havia movimentação no encanamento da casa, prática essa já conhecida pelas nossas investigações. Ali tivemos certeza de que o alvo estava se desfazendo de drogas”, explicou Eduardo Tabosa.

Os agentes localizaram drogas escondidas em uma caixa de gordura concretada. No local, foram apreendidos pinos de cocaína e pedras de crack prontas para comercialização.

Segundo a polícia, parte da droga pode ter sido descartada no sistema de esgoto antes da entrada das equipes no imóvel.

“Quando nos deparamos com as drogas existiam pinos de cocaína abertos. Então é possível que no momento do descarte outros quantitativos tenham sido despejados pelo autor”, explicou a delegada titular da 14ª DPH Myrthor Freitas.

Domínio do tráfico

Conforme as investigações, “Shrek” atuava como gerente do tráfico de drogas em Ponte dos Carvalhos e dominava a comercialização de entorpecentes na região.

“Ele era gerente da região de Ponte dos Carvalhos e dominava o tráfico local”, disse Tabosa.

A Polícia Civil também informou que o suspeito é investigado em outros homicídios ocorridos no Cabo de Santo Agostinho.

“Acredito que no ano passado a gente o indiciou em dois ou três homicídios. Ele está sendo investigado por mais de um homicídio”, afirmou o delegado.

De acordo com a investigação, a tentativa de homicídio que motivou o mandado de prisão teria sido motivada por disputa territorial e também por dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.

“A linha de investigação decorreu de que haveria uma ameaça de retomada de território que supostamente seria de domínio dele e ao mesmo tempo dívidas de droga”, detalhou Tabosa.

Segundo o delegado, a vítima seria um suposto rival ligado ao tráfico na região.

Ligação com facção do Rio de Janeiro

Durante a coletiva, a Polícia Civil afirmou que o suspeito era simpatizante, além de possuir ligação com integrantes do Comando Vermelho (CV), facção criminosa do Rio de Janeiro.

Segundo Eduardo Tabosa, o investigado era citado em funks que fazem apologia ao crime organizado e seria simpatizante da facção carioca.

“Ele é citado por diversos funks na capital carioca, então dá para ressaltar a importância dele nessa organização criminosa”, afirmou.

Apesar disso, os investigadores afirmaram que ainda apuram como funcionava a logística do tráfico e o abastecimento de drogas na região.

“A distribuição ainda está sendo identificada e investigada pela Polícia Civil”, explicou o delegado.

A polícia informou ainda que o suspeito seria responsável apenas pela distribuição local dos entorpecentes.

“Ele é gerente, ele é distribuidor. Ele recebe”, disse Myrthor Freitas ao explicar o funcionamento da organização criminosa.

Suspeito já havia sido preso

Segundo a Polícia Civil, “Shrek” já havia sido preso anteriormente por tráfico de drogas e havia deixado o sistema prisional recentemente.

Mesmo preso, conforme a investigação, ele continuava exercendo influência sobre o tráfico na região.

“Recentemente ele conseguiu entrar em liberdade e voltou a exercer o domínio naquela região”, afirmou Eduardo Tabosa.

Após a operação desta quarta (13), o suspeito foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e também teve cumprido o mandado de prisão pela tentativa de homicídio.

Ele passou por audiência de custódia e permanece à disposição da Justiça no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (COTEL), em Abreu e Lima, Grande Recife.