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Suspeito de integrar grupo de extermínio pernambucano Thundercats é preso em São Paulo

A prisão de José Jairo de Moura Cavalcanti foi realizada nesta segunda-feira (5), na Região da Luz, em São Paulo; O suspeito é apontado como integrante do grupo de extermínio "Thundercats"

Por Diario de Pernambuco

José Jairo de Moura Cavalcanti, integrante do grupo de extermínio "Thundercats" de Pernambuco

Procurado pela Justiça e apontado como integrante do grupo de extermínio “Thundercats” de Pernambuco, foi preso na noite desta segunda-feira (5), por policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), em São Paulo.

De acordo com a Polícia, a prisão aconteceu durante patrulhamento tático na Região da Luz, área central de São Paulo. O suspeito, identificado como José Jairo de Moura Cavalcanti, foi abordado após demonstrar atitude suspeita.

Durante a abordagem, a Polícia verificou que havia um mandado de prisão em aberto contra ele. Após receber voz de prisão, ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e, em seguida, transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros IV, onde permanece à disposição da Justiça.

Segundo o Tribunal do Júri, José Jairo foi condenado a 27 anos de prisão por homicídio qualificado e formação de quadrilha armada.

Thudercats: a ascensão violenta e o desmonte da quadrilha

Descoberto em 2007 a partir das investigações da Operação Ponta do Iceberg, o grupo de extermínio “Thundercats” expôs um dos retratos mais graves da infiltração criminosa em estruturas de segurança pública em Pernambuco.

A organização era formada por policiais militares, integrantes da Aeronáutica, agentes da Polícia Civil e civis, funcionando de maneira articulada e com divisão de funções.

No centro da estrutura estava José Marcionilo da Silva, apontado como líder e responsável por coordenar uma engrenagem criminosa que envolvia execuções, tráfico de drogas e armas, assaltos, lavagem de dinheiro e um esquema sistemático de extorsão.

Moradores de bairros da Região Metropolitana do Recife eram coagidos a pagar taxas sob ameaça de morte, em um modelo de domínio territorial imposto pela violência.

A atuação do grupo se espalhou por áreas como Jardim São Paulo, Cavaleiro, Totó, Barro, Areias, San Martin, Coqueiral e adjacências, onde se concentrou a maioria dos homicídios atribuídos à organização. As execuções, segundo as investigações, também tinham como alvo pessoas que denunciavam a atuação da quadrilha.

O avanço das investigações resultou na responsabilização de parte dos integrantes. Em 6 de julho de 2013, após um julgamento marcado por adiamentos e forte aparato judicial, oito dos 12 denunciados foram levados ao júri pelo assassinato de Tiago Corte Real Sales, crime ocorrido em 2006 e considerado emblemático dentro da atuação do grupo.

Sete réus foram condenados por homicídio e formação de quadrilha: José Marcionilo da Silva (29 anos de reclusão), Humberto Dias da Silva (27 anos), Anderson Leonardo Cunegundes (17 anos), Gerlando Feliciano da Silva (17 anos), Anderson de Oliveira Mendonça (17 anos), José Jairo de Moura Cavalcanti (27 anos) e Aluísio Sandro de Lima (27 anos). Já Elenildo Lima de Souza foi absolvido da acusação de homicídio, mas condenado a quatro anos por associação criminosa.

As investigações também apontaram outros envolvidos, como José Pedro da Silva e José João da Silva, que permaneceram foragidos à época, com processos suspensos. Já Everaldo Lima Sousa e Anselmo Vieira da Silva foram mortos antes do desfecho judicial.

Mais de uma década depois, o nome da quadrilha volta a ganhar notoriedade com a prisão de José Jairo de Moura Cavalcanti, localizado em São Paulo com mandado de prisão em aberto desde 2023, um desdobramento que reacende a memória de uma das organizações criminosas mais violentas já identificadas no estado.