° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Trens de BH começam a chegar ao Recife em maio para evitar colapso do metrô

Primeira e deve começar a rodar em junho, segundo a CBTU. Medida é apontada como essencial para evitar colapso da Linha Sul até 2027

Por Adelmo Lucena

Recife receberá trens vindos de Belo Horizonte

Após diversos adiamentos, os seis trens adquiridos junto ao metrô de Belo Horizonte para reforçar o sistema metroviário do Grande Recife devem estar totalmente em operação entre outubro e novembro deste ano. Pelo menos, é o que diz a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O primeiro deles chega ainda em maio, com previsão de início da operação em junho.

De acordo com a estatal, as composições terão vida útil estimada de mais cinco anos e são consideradas fundamentais para evitar a paralisação da Linha Sul, capaz de operar até abril de 2027 levando em conta as condições atuais. O calendário de chegada e estratégias para aquisição de novos trens foram detalhados à imprensa em reunião convocada pela CBTU nesta segunda-feira (4).

De acordo com o gerente geral de Programas da CBTU, Adalberto Nunes, a aquisição tem caráter emergencial, uma vez que a Linha Sul opera no limite. “O principal desafio nesse momento é adquirir trens emergenciais para substituir a frota antiga da linha Sul, que está em final de vida útil”, explicou. Ele ressaltou que a alternativa foi buscar composições com menor custo, mas que pudessem operar rapidamente no sistema.

Ao todo, as seis composições vindas de Belo Horizonte custarão R$ 60 milhões. A primeira já está em processo de envio e deve chegar ao Recife entre os dias 15 e 19 de maio. Após testes, a operação deve começar em junho. As demais serão enviadas entre julho e setembro, permitindo que todas as composições estejam em funcionamento até outubro ou novembro.

A CBTU afirma que a medida é uma solução emergencial para garantir a continuidade do sistema até que seja possível adquirir novos trens, processo que depende da futura concessão do metrô e que pode levar anos.

A urgência da aquisição está ligada às projeções da CBTU para a Linha Sul. Estudos internos indicam que, mantido o ritmo atual de degradação, o número de trens operacionais pode cair drasticamente nos próximos anos.

“A estimativa é que, em abril de 2027, a gente tenha apenas quatro trens operando na linha Sul. Quatro trens operacionais não significam quatro disponíveis, pode ser dois, um ou nenhum”, explicou o gerente.

Segundo ele, esse cenário caracterizaria um colapso do sistema, especialmente nos horários de pico, quando a demanda exige uma quantidade muito maior de composições.

Hoje, apenas 16 trens estão efetivamente em operação, enquanto um está em recuperação após um princípio de incêndio. Além disso, a frota conta com veículos antigos, como os da série Santa Matilde, com mais de 40 anos, dos quais apenas sete ainda operam na Linha Sul.

A CBTU também apresentou um panorama da degradação do sistema nos últimos anos. Em 2015, o metrô transportava cerca de 380 mil passageiros por dia, com 43 trens operacionais. Atualmente, esse número caiu para aproximadamente 130 mil usuários diários, com apenas 17 trens disponíveis.

Segundo Adalberto Nunes, a queda mais recente está ligada à baixa confiabilidade da frota. Ele destacou que boa parte das composições opera acima do limite recomendado de manutenção, o que aumenta falhas e compromete a qualidade do serviço.

Escolha por trens de Belo Horizonte

Segundo a CBTU, diante dessa situação restaram poucas opções compatíveis com o sistema do Recife. Os trens de Belo Horizonte foram escolhidos por estarem em operação, apresentarem melhor estado de conservação e utilizarem tecnologia semelhante.

As composições foram fabricadas entre 1996 e 2002, ou seja, têm entre 20 e 30 anos, mais novas que parte da frota atual do Recife. Segundo a CBTU, esses trens estão sendo substituídos em Minas Gerais por exigência do contrato de concessão, e não por problemas técnicos.

“Pensando no colapso da Linha Sul: o fundamental é que a gente consiga manter o sistema oferecendo o serviço à população. Então, com todo o estudo que foi apresentado, a gente tem uma perda de um trem e meio a cada três anos. Então, o que a gente tem hoje da frota, em abril de 2027, a gente não teria mais condições de operar a Linha Sul”, afirmou a superintendente da CBTU, Marcela Campos.

Ela destacou que a aquisição trata-se de uma medida emergencial. “Com esse trabalho da parte técnica de buscar essas alternativas, viu-se que Belo Horizonte tinha essa essa alternativa. Lógico que não é o conforto que a gente gostaria de dar ao usuário, mas é a garantia da prestação do serviço”, destacou a superintendente.

Estratégia operacional

Com a chegada dos trens de Belo Horizonte, a CBTU pretende reforçar a Linha Sul e reorganizar a frota. Parte dos trens atualmente utilizados nessa linha deverá ser deslocada para a Linha Centro.

O objetivo é permitir a realização de revisões gerais nos trens mais novos, da chamada frota CAF, que estão com manutenção atrasada. “Essa revisão deveria ter sido feita com 1,2 milhão de quilômetros, mas já temos trens com 1,5 milhão, o que aumenta muito as falhas, inclusive em itens de segurança”, explicou Adalberto.

Alternativas descartadas diante da urgência

Antes de optar pelos trens de Belo Horizonte, a CBTU avaliou outras possibilidades, incluindo composições da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). No entanto, os equipamentos estavam parados há cerca de cinco anos e em condições precárias.

“Constatamos que esses trens estavam sem manutenção, com sistemas degradados e com problemas graves de obsolescência, especialmente na parte de tração e eletrônica”, explicou o gerente. Segundo ele, a recuperação exigiria uma reforma profunda e de alto custo, incluindo substituição de motores, inversores e componentes essenciais. Além disso, o prazo estimado para recuperação, de pelo menos dois anos, tornaria a alternativa inviável diante do risco iminente de colapso operacional no Grande Recife.

A possibilidade de reforçar a frota do Metrô do Recife com trens oriundos do Rio Grande do Sul também chegou a ser analisada pela CBTU. Mas, segundo a companhia, uma reunião realizada no dia 16 de abril com representantes da TrensUrb indicou que apenas uma composição poderia ser disponibilizada já revisada, enquanto outras quatro estariam paradas e sem uso.

Após avaliação técnica, foi constatado que, dessas quatro, três sequer tinham condições operacionais, o que comprometeria ainda mais os prazos de entrada em funcionamento.