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Há 10 anos, ações itinerantes levam comida e direitos a pessoas em situação de rua no Recife

Promovidas pela ONG Samaritanos, essas ações chegam a percorrer mais 22 bairros do Recife por semana, levando comida e direitos para cerca de 600 pessoas em situação de rua

Por Bartô Leonel

Moradores em situação de vulnerabilidade recebem atendimento da ONG Samaritanos

Contribuir com a mudança na realidade de pessoas em situação de rua no Recife é um dos princípios que regem a ONG Samaritanos, que realiza há 10 anos a distribuição semanal de marmitas, além de promover rondas médicas e atendimentos jurídicos para essa população.

A ideia de criar essa ONG surgiu da inquietação de jovens da Paróquia de Casa Forte, na Zona Norte do Recife, em promover uma certa melhora na situação desumana que essas pessoas passam.

A partir disso, a ideia de distribuição de marmitas foi crescendo desde 2015, ano de fundação da ONG, e passou a ganhar outras ações, como a “ronda dos médicos”, no qual diversos profissionais de saúde fazem o acompanhamento toda semana desses beneficiários.

Além disso, também são promovidos atendimentos jurídicos, projeto de moradia, banco de currículos para o retorno ao mercado de trabalho, entre outras ações.

Segundo o presidente da ONG Samaritanos, Rafael Araújo, cerca de 600 pessoas são beneficiadas, semanalmente, por ações promovidas pela instituição, que percorre mais de 22 bairros do Recife.

“Desde o nosso começo, a gente já entendia que não podíamos ficar só na parte assistencial. Com isso, decidimos manter a distribuição de comida, porque a questão da fome é emergencial, mas também procuramos lutar por políticas públicas para essa população e também realizar projetos e atividades que possam criar oportunidades para que essas pessoas superem a situação de rua”, destacou.

Questão financeira

Atualmente, a ONG Samaritanos, que ganhou uma cozinha solidária, recebe o apoio financeiro dos governos federal e estadual para a produção das marmitas.

Porém, segundo Rafael Araújo, as outras atividades promovidas pela instituição são custeadas majoritariamente por doações mensais de pessoas físicas, além de algumas empresas que realizam a entrega de produtos que serão utilizados nas ações.

“As doações são muito boas, mas elas não custeiam todas as despesas que são produzidas pelos nossos projetos e ações. Então, a gente acaba contando muito com o voluntariado, que é muito importante para a gente, pois são pessoas especiais que se orientam e realizam um atendimento humanizado de acolher e ouvir a situação de cada pessoa”, explicou.

Apesar das dificuldades, a fé de que essas pessoas em situação de rua possam superar essa desumanização social faz com que eles permaneçam firmes com essas ações de solidariedade.

“A gente dos Samaritanos reza, trabalha e luta para que em algum dia não precisaremos levar comida, água e agasalho para essas pessoas em situação de rua. Pode ser uma utopia nossa, mas a gente quer que essas pessoas saiam dessa situação e tenham oportunidades, pois, a cada ação que realizamos, temos um mix de sensações: ficamos tristes em ver essa questão da desigualdade e da injustiça social, mas nos sentimos úteis em conseguir ajudar essas pessoas”, finalizou Rafael Araújo.