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Diarista e amante são peças-chave de quadrilha que roubou joias e relógios e fez família refém em Olinda

Operação The Closet foi deflagrada, na sexta (24), pela Polícia Civil e prendeu a empregada e um comparsa. Dois mandados de prisão foram cumpridos contra dois homens que já estavam presos.

Por Diario de Pernambuco

Vítimafoi levada pera dentro de prédio por bandidos, que viraram alvo de operação no estado

Uma diarista e o amante dela são peças-chave do quebra-cabeça que levou a Polícia Civil de Pernambuco a desvendar um assalto que terminou com um empresário e a família dele reféns dentro de casa, em Olinda, no Grande Recife.

Os envolvidos no roubo de joias e mais de 40 relógios de marcas famosas, avaliados em mais de R$ 300 mil, foram alvo da Operação The Closet, deflagrada na sexta (24).

A ação cumpriu, ao todo, quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em cinco cidades do estado.

Em entrevista concedida nesta segunda (27), no Recife, o delegado Gilmar Rodrigues, de Olinda, informou que tudo foi esclarecido a partir da diarista Danúbia Cristina, de 39 anos, uma das presas na ação.

Ainda segundo o delegado, ela trabalhou na casa do empresário, do setor de peças automotivas durante alguns anos e pediu demissão três meses antes do crime, praticado no dia 8 de abril de 2025, em Rio Doce.

Foi ela, de acordo com Rodrigues, que tramou todo o assalto com o amante, identificado como Leandro, que está preso no Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife.

Leandro, ainda conforme o delegado, acionou um comparsa chamado de Tiago Felipe, que também está preso, só que no Presídio de Igarassu, no Grande Recife.

A quarta peça do quebra-cabeça na trama do crime é um homem identificado como José Adeílson, ou Galego da Verdura, que estava em Bezerros, no Agreste, e também foi capturado na operação.

Esse homem tem envolvimento prévio com homicídios, roubos e tráfico de drogas, segundo a polícia.

Dos quatro mandados de prisão expedidos pela Justiça em Olinda, dois foram cumpridos fora da cadeia, o de Danúbia e o de Galego da Verdura, e dois em presídios do Grande Recife, o de Tiago e o de Leandro.

“As investigações vão continuar para a gente encontrar os executores do crime”, disse Gilmar Rodrigues.

Não sabia inglês

A Operação foi batizada de Closet (armário, em inglês) por causa da participação da diarista Danúbia. Gilmar Rodrigues informou que, a partir de informações privilegiadas de Danúbia, repassadas para os dois detentos e para o comparsa de Bezerros, foram chamados os três executores do assalto.

No dia do crime, o empresário passeava com o cão na orla de Rio Doce. Ele foi abordado pelos bandidos e levado para o próprio apartamento, onde estavam os familiares.

Todos foram colocados dentro do banheiro com algemas, o que configurou o crime de cárcere privado.

O delegado Gilmar Rodrigues explicou que a participação decisiva da diarista Danúbia ficou marcada no momento em que um dos executores fez uma chamada de vídeo e recebeu a orientação para procurar um “quarto secreto”, onde estavam as três caixas de relógios e as joias.

O delegado afirmou que só quem se referia dessa forma a esse closet (armário, em inglês) era Danúbia, que não sabia pronunciar a palavra estrangeira.

Com os mandados de busca e as quebras de sigilo telefônico, a polícia descobriu que Danúbia tinha falado com um dos comparsas 50 vezes na semana do assalto e 10 vezes no mesmo dia do crime.

Ficou provado que ela não sabia falar closet e sempre dizia "quarto secreto", que foi a expressão usada por um dos criminosos quando entrou no apartamento.

Quando o empresário estava trancado no apartamento com a família, os bandidos disseram que a chave das algemas ficaria do lado de fora, perto da lixeira. Eles tinham todos os detalhes do local, repassados por Danúbia Cristina”, acrescentou o delegado Gilmar Rodrigues.

A Operação The Closet

A ação aconteceu no Recife, Itamaracá, Igarassu e Abreu e Lima, na Região Metropolitana, além de Bezerros, no Agreste.

Houve o apoio operacional da Gerência de Inteligência e Segurança Orgânica da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização, apontando para o envolvimento de presidiários.

Imagens divulgadas pela polícia mostram o momento em que o empresário abordado pelos criminosos na orla.

Outro vídeo mostra quando todos entram no prédio onde a família da vítima mora, que não tem porteiro.

Também foi divulgada uma foto das joias e dos relógios apreendidos com os criminosos.

Os crimes investigados foram roubo, receptação e cárcere privado.