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Motociclistas acidentados custaram R$ 24 milhões ao SUS em Pernambuco nos últimos anos, diz Ministério da Saúde

Apenas em 2025, Pernambuco registrou 34.002 vítimas de sinistros de moto

Por Nicolle Gomes

Nos quatro primeiros meses de 2026, 95 pessoas perderam a vida em acidentes com moto no estado

Em Pernambuco, os atendimentos a vítimas de acidentes de moto nos hospitais públicos custaram R$ 24,4 milhões aos cofres públicos, no período de 2023 a 2025. Os dados foram obtidos com exclusividade pelo Diario de Pernambuco junto ao Ministério da Saúde.

Segundo a pasta, a média anual de gastos é de R$8,1 milhões. Em 2025, o custo foi de R$ 9 milhões, enquanto em 2024 foram investidos R$ 10,4 milhões no tratamento desses pacientes no estado. Para fins de comparação, com os quase R$ 25 milhões gastos, seria possível construir mais de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS), tomando como base tabela de custos compartilhada pelo Ministério da Saúde.

A nível nacional, os dados do Ministério da Saúde revelam a complexidade do tema: em levantamento divulgado em 2025, o governo federal revelou que as internações de motociclistas exigiram um gasto de mais de R$ 2 bilhões, ou seja, 55,2% do total investido em gastos hospitalares de vítimas de trânsito.

Vítimas

Politraumatismos, cortes, fraturas expostas e cirurgias são algumas das consequências com as quais os acidentados precisam lidar, além de prejuízos financeiros. Essa é a realidade do servidor público de Osvaldo Costa, de 60 anos, internado há 35 dias por conta de um acidente de moto. Sua situação ilustra a gravidade do problema.

Morador e natural da zona rural de Gravatá, no Agreste, Osvaldo foi atingido por um carro que vinha na contramão de uma pista local. A vítima teve fraturas expostas no punho, fêmur, tíbia e fíbula, do lado direito do corpo, além de fratura interna na tíbia esquerda.

Pernambuco registrou 34.002 vítimas de sinistros de moto em 2025 – uma média de 93 por dia. Até o dia 14 de abril de 2026, foram contabilizados 7.970, o que configura uma média diária de 77, segundo dados da Secretaria de Saúde do estado (SES-PE). O volume acumulado no período já equivale a 23,4% do total contabilizado em todo o ano passado.

As lesões de Osvaldo se enquadram no perfil mais comum dos sinistros de moto em Pernambuco. Fraturas e politraumatismos são as mais frequentes, segundo dados da SES-PE. Essas contusões, muitas vezes, são de tratamento delicado e consideradas graves, demandando internações extensas e cirurgias.

No caso de Osvaldo, foi necessário intervenção cirúrgica para reabilitação dos ossos. Desde o internamento, no dia 23 de março, no Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, o paciente tem realizado um procedimento por semana. Ele segue sem previsão de alta.

Das vítimas registradas até 14 de abril deste ano, 3.563 sofreram fraturas e 329 apresentaram politraumatismos. Em 2025, o estado contabilizou 14.910 ocorrências nesse recorte, sendo 13.187 fraturas e 1.723 politraumatismos.