° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Alimento que faz bem ao corpo e à alma

Projeto social iniciado em 2018 tem garantido a alimentação a cerca de 200 pessoas em situação de vulnerabilidade em Olinda, na RMR

Por Nicolle Gomes

Projeto acontece desde 2018 em Olinda, no Grande Recife

Fazer o bem faz bem. Esse é o lema que nomeia um projeto que acolhe semanalmente cerca de 50 famílias de Olinda, no Grande Recife. Todas as quintas-feiras, a Paróquia Jesus de Nazaré abre portas para acolher dezenas de pessoas em situação de vulnerabilidade, praticando solidariedade em forma de cuidado, escuta e alimento.

Criado em 2018, o projeto nasceu da inquietação de paroquianos diante do crescimento da população em situação de rua na cidade, conta um dos organizadores, Luciano Wilton. Ele relembra o início das atividades.

“Tudo começou a gente indo à praça. Com a mudança de gestão, não fomos mais. Avisamos às pessoas que ficaremos doando na igreja. Hoje já é certa a procura lá”, conta.

Atualmente, a ação acontece na própria paróquia e alcança cerca de 200 pessoas entre homens, mulheres e crianças. Além da sopa com pão, também são distribuídas roupas, lençóis e outros itens essenciais.

“A gente pensa muito que é o nosso dever. Ajudar o próximo é a missão que Deus nos enviou”, diz Luciano.

Por volta das 13h, voluntários iniciam o preparo da sopa, em um trabalho coletivo que envolve cerca de 10 pessoas. Às 16h, os portões são abertos e o atendimento começa.

“Como coordenador, estou na frente das ações, com outros organizadores. Tudo é feito com muito carinho. A satisfação de ver as pessoas recebendo alimento é muito grande, então não tem preço, a gente se sente muito feliz em fazer o que a gente faz”, compartilha Wilton.

Luciano relata, ainda, que a conexão com o propósito do projeto é o combustível que movimenta essas ações durante todos esses anos. Nem mesmo os períodos mais críticos, como o auge da pandemia de Covid-19, foram capazes de paralisar as atividades. Pelo contrário. Foi nesse momento que a necessidade de auxílio se tornou mais latente, impulsionando os voluntários a ajudar quem precisava.

O sustento dessa rede de apoio vem da união entre fé e criatividade. Sobreviver de doações é um dos desafios que o projeto tem que superar constantemente, além do corpo enxuto de voluntários, comenta Luciano.

Muitas vezes, o grupo precisa contribuir com recursos próprios, mas mantém um bazar permanente na igreja para arrecadar fundos. Itens como roupas e utensílios domésticos são vendidos a preços populares para a vizinhança. A arrecadação é revertida na compra dos insumos que compõem a sopa.

Apesar dos desafios, esses oito anos são só o começo de uma ação que segue com o objetivo de ajudar quem mais precisa, diz Luciano.

“A gente não pensa em desistir. A gente pretende continuar, enquanto Deus nos der força para nos ajudar como Ele tem nos ajudado. Ele não tem deixado faltar nunca. Às vezes vemos que tem algo faltando, mas de repente chega”, conclui.