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Homem que invadiu júri e atirou em réu acusado de matar seu pai é absolvido

Maioria dos jurados entendeu que, mesmo diante da tentativa de homicídio, Cristiano Alves Terto deveria ser absolvido

Por Adelmo Lucena

Tentativa de homicídio durante júri aconteceu em 29 de novembro de 2023

O homem que invadiu uma sessão do Tribunal do Júri em São José do Belmonte, no Sertão de Pernambuco, e atirou contra o réu acusado de assassinar seu pai foi absolvido da acusação de tentativa de homicídio. Cristiano Alves Terto foi julgado no Recife no dia 10 de abril e teve a absolvição decidida pelo Conselho de Sentença da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. 

O caso ganhou repercussão após o ataque ocorrido em novembro de 2023, dentro do Fórum de São José do Belmonte, quando Cristiano interrompeu o julgamento de Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura, acusado de matar o pai dele, e efetuou disparos no plenário.

De acordo com a sentença, os jurados reconheceram que houve materialidade do crime e que Cristiano foi o autor dos disparos. Também entenderam que a tentativa de homicídio não foi consumada por circunstâncias alheias à vontade do acusado. Apesar disso, ao responderem ao quesito final obrigatório, que questiona se o réu deve ser absolvido, a maioria decidiu pela absolvição.

A decisão segue o princípio da soberania dos veredictos do Tribunal do Júri, previsto na Constituição Federal, que permite aos jurados absolver o réu sem necessidade de justificar os motivos, inclusive por razões subjetivas, como clemência.

Com o resultado, a Justiça julgou improcedente a acusação e determinou a expedição de alvará de soltura em favor de Cristiano Alves Terto, caso ele não esteja preso por outros motivos.

O processo foi retirado de São José do Belmonte e transferido para o Recife. A medida foi adotada para garantir a segurança dos envolvidos e a imparcialidade do julgamento, após o ataque dentro do fórum.

Relembre o caso

O episódio ocorreu em 29 de novembro de 2023, durante o julgamento de Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura, acusado de matar o pai de Cristiano em 2012, na zona rural do município.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Cristiano entra armado no plenário, se aproxima do réu e dispara várias vezes. Uma mulher ainda tenta contê-lo, sem sucesso. Em seguida, ele agride a vítima com coronhadas. O ataque provocou correria entre testemunhas, advogados e servidores.

Francisco Cleidivaldo sobreviveu. Cristiano foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva.

Segundo o processo, o crime que motivou o ataque teve origem em uma discussão envolvendo a fuga de um burro entre o pai de Cristiano e o réu. Na época, Francisco Cleidivaldo confessou ter atirado contra a vítima, que morreu dias depois.