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Covid ainda provoca casos graves em Pernambuco e aparece como causa da SRAG

Estado soma mais de mil casos da síndrome respiratória em 2026 e vacinação é reforçada com novas doses enviadas pelo Ministério da Saúde

Por Adelmo Lucena

Análise de coleta para identificação de Covid-19

Pernambuco registrou, entre 1º de janeiro e 4 de abril deste ano, 1.005 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 22 provocados pela Covid-19. No mesmo período, uma morte pela doença foi confirmada pelo Ministério da Saúde. Mesmo com participação proporcional menor em relação a outros vírus respiratórios, o coronavírus segue presente entre os quadros mais graves da síndrome no estado.

Diante da circulação do vírus, Pernambuco recebeu 89.046 doses de vacinas contra a Covid-19, destinadas ao reforço da imunização da população. Segundo o Ministério da Saúde, os imunizantes disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são adaptados às cepas mais recentes em circulação, o que amplia a proteção contra formas graves da doença.

A recomendação do governo federal é que a vacinação seja priorizada entre os grupos mais vulneráveis, como idosos, pessoas com comorbidades, gestantes e profissionais da saúde. Esses públicos apresentam maior risco de evolução para quadros graves, como a própria SRAG, que pode exigir internação hospitalar e suporte intensivo.

Confira o público prioritário:

  • Idosos (a partir de 60 anos ou mais): duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas;
  • Gestantes: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose;
  • Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema básico de duas ou três doses, conforme o imunizante;
  • Pessoas imunocomprometidas (a partir de 6 meses de idade): esquema básico com três doses e recomendação de doses periódicas (uma dose semestral, com intervalo mínimo de seis meses);
  • População geral (5 a 59 anos): uma dose para pessoas não vacinadas anteriormente.

O Ministério da Saúde também destaca que a distribuição das vacinas até as unidades de saúde e a organização da logística de aplicação são responsabilidades dos estados e municípios. Cabe às gestões locais administrar estoques, controlar prazos de validade e definir estratégias para ampliar a cobertura vacinal.

Até 11 de abril de 2026, o Brasil registrou 62.586 casos de síndrome gripal (SG) associados ao coronavírus. Já os casos de SRAG somam 30.871 notificações, sendo 4,7% (1.456) confirmados para Covid-19, com 188 mortes. Os números mostram que a Covid-19 continua contribuindo para os casos mais severos e para a mortalidade.

SRAG em Pernambuco

Em Pernambuco, a SRAG apresenta múltiplas causas. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a maior parte dos casos ainda é classificada como de origem não identificada, totalizando 258 registros.

Em seguida aparecem os casos associados ao vírus influenza (204), outros vírus respiratórios (162) e Covid-19 (22). Também foram contabilizados 17 casos relacionados a outros agentes epidemiológicos.

As análises laboratoriais ajudam a dimensionar a circulação dos vírus no estado. Dados do Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen) indicam 83 confirmações para o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais responsáveis por infecções respiratórias em crianças. Já as amostras positivas para Covid-19 representam 1,4% do total analisado.

No que diz respeito à mortalidade, Pernambuco contabilizou 29 mortes por SRAG até o início de abril, o que corresponde a uma taxa de 0,3 óbito por 100 mil habitantes. A maior parte das mortes ocorreu entre pessoas com mais de 60 anos, que concentram 58,6% dos óbitos. As mulheres representam 55,2% das mortes registradas.

Embora os idosos sejam os mais afetados em termos de mortalidade, os dados apontam que os bebês com menos de um ano de idade seguem como o grupo com maior número de casos de SRAG no estado. Ao todo, foram 471 registros nessa faixa etária em pouco mais de quatro meses.

A maior vulnerabilidade dos recém-nascidos e lactentes está relacionada à imaturidade do sistema imunológico, o que facilita a evolução de infecções respiratórias para quadros graves.

A SRAG pode ser causada por diferentes vírus respiratórios, incluindo influenza, vírus sincicial respiratório e o próprio coronavírus. Caracteriza-se por sintomas mais intensos, como dificuldade para respirar, baixa oxigenação e necessidade de hospitalização, sendo considerada um dos principais indicadores de gravidade das infecções respiratórias.