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"Parecia uma bomba", diz vizinha de prédio que desabou nesta quinta (16) em Olinda

O prédio, que estava interditado desde 2023, desabou na madrugada desta quinta (16), no bairro de Jardim Fragoso, em Olinda, e deixou um idoso ferido e muitos moradores vizinhos em pânico

Por Cadu Silva

Área de lazer do prédio era utilizado por moradores da vizinhança em jardim Fragoso

“A gente já sabia que ia acontecer uma hora ou outra”, desabafou Janderson Moreira da Rocha, de 26 anos, sobrinho da vítima do desabamento de um edifício de três andares na madrugada desta quinta-feira (16), na Rua Ayrton Senna do Brasil, no bairro do Jardim Fragoso, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife.

O idoso José Galdino da Silva, de 72 anos, ficou preso sob os escombros e foi resgatado com vida, mas com ferimentos graves. Ele foi encaminhado ao Hospital da Restauração.

De acordo com Janderson, ele esteve no local cerca de três horas antes do desabamento. “A gente ficava aqui como passatempo, escutando música, vendo jogo. Não morava ninguém fixo.”

O desabamento ocorreu entre 2h e 3h da manhã e acordou a vizinhança em meio ao susto e ao desespero.

“Foi um barulho muito forte, parecia uma bomba. Na hora que eu abri os olhos, eu já disse: foi o prédio que caiu”, relatou Andrea Andrade, de 46 anos, que mora ao lado do imóvel.

Segundo ela, o cenário logo após a queda era de poeira, escuridão e gritos por socorro. “A gente começou a ouvir um homem gemendo debaixo dos escombros. Foi desesperador.”

A reação foi imediata. Familiares e vizinhos improvisaram uma operação de resgate enquanto aguardavam o socorro oficial.

“Meu genro começou a gritar que tinha alguém ali, pegou ferramentas, pediu pra ligar pro Bombeiros. Foi tudo muito rápido”, contou Andrea.

O autônomo Williams Peixoto, de 42 anos, também participou da ação. “A gente puxou uma extensão pra levar iluminação e começou a tirar ele. Depois os bombeiros chegaram e concluíram o resgate”, disse.

Edson Moreira, filho do caseiro, também ajudou no resgate.

“Eu estava em casa quando ouvi o estrondo. Quando cheguei, ele estava embaixo dos escombros. Ajudei a tirar, fiquei todo arranhado, cheio de lama”, contou. “O pé dele estava muito machucado, dava pra ver o osso. Foram quatro dedos que ele perdeu. Ele vai ter que passar por cirurgia.”

Poderia ser pior

Apesar do susto, Andrea afirma que o desfecho poderia ter sido ainda mais grave.

A área por trás da residência era utilizada pelos netos, que costumavam brincar no quintal. Brinquedos como escorregadores e gangorras foram arrastados com o impacto da queda. “Aqui sempre tinha criança brincando. Poderia ter sido uma tragédia maior”, afirmou Andrea.

O imóvel, segundo relatos, estava abandonado e vinha sendo utilizado como abrigo por José Galdino, que havia chegado ao local poucos dias antes.

Ainda assim, os sinais de comprometimento estrutural eram evidentes há bastante tempo. “As colunas estavam rachadas, os ferros aparecendo, tudo torto. Era visível que ia cair”, disse Andrea.

A presença constante de água na base da estrutura também preocupava. “A água entrava por baixo, ficava acumulando.”

A queda do prédio provocou danos à residência de Williams, atingindo o muro e parte do telhado.

“Foi tudo muito rápido. A gente só teve tempo de sair e ver o que tinha acontecido”, relatou Williams.

Além do impacto material e emocional, o caso levanta questionamentos sobre a atuação do poder público.

Moradores afirmam que o prédio estava inutilizado e criticam a falta de fiscalização na residência.

“Se já estava interditado, por que não fiscalizaram se o dono fez a demolição? Só notificam e depois deixam acontecer”, criticou Andrea.

Outro ponto levantado pelos vizinhos é a ausência de sinalização no local.

“Nunca teve placa, faixa, nada dizendo que era área de risco”, afirmou um ex-morador da região. A falta de isolamento teria facilitado o acesso ao imóvel, mesmo com o risco evidente.

Em nota, o Corpo de Bombeiros confirmou o resgate da vítima e o encaminhamento para atendimento hospitalar.

Defesa Civil de Olinda

Segundo o secretário executivo da Defesa Civil de Olinda, Carlos D’Albuquerque, o imóvel já havia sido interditado em 2023 e o proprietário, notificado.

“O prédio foi interditado e o dono se comprometeu a demolir. Agora vamos notificá-lo novamente para que faça a remoção dos escombros e adote as medidas necessárias”, afirmou, acrescentando que a vítima não era proprietária do imóvel e utilizava o local como abrigo.

Para os moradores, no entanto, a resposta ainda é insuficiente diante do que consideram um caso de negligência. “Fica muito fácil deixar acontecer e depois ninguém assumir”, desabafou Andrea.

Prefeitura de Olinda

Em nota oficial, a Prefeitura de Olinda reafirmou a declaração do secretário da Defesa Civil sobre a interdição do prédio e a notificação que havia sido feita ao proprietário do imóvel.

“Ele também foi notificado e havia assumido o compromisso de demolir a residência para a construção de uma nova edificação de acordo com as normas legais da engenharia civil”, diz a nota, que também se contrapõe à afirmação de moradores.

“É válido destacar, ainda, que o local possuía sinalização de interdição”.

 

 
 
 
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