Uma semana após desabamento de casarão no Recife, moradores cobram ações: "acabar com risco de morte"
Segundo moradores da comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, que a principal reivindicação é a eliminação dos riscos para evitar nova tragédia
Uma semana após o desabamento de um muro do casarão na comunidade do Pilar, no bairro do Recife, que deixou duas pessoas mortas, duas feridas, além de moradores desabrigados e outros em alerta, a comunidade segue vivendo sob medo e cobrando respostas do poder público.
“A gente não está em nenhum momento seguro”, resume a liderança comunitária Ana Cláudia, de 38 anos.
Segundo ela, após protesto realizado na área, houve um diálogo com a Prefeitura, que se comprometeu a avaliar a situação do muro e das famílias atingidas. A principal demanda da comunidade é eliminação dos riscos.
“Precisa derrubar o que for necessário para acabar o risco de morte. Se não for derrubar, que faça a restauração, mas que comece esse processo”, afirmou.
Além da estrutura comprometida, os moradores cobram agilidade no pagamento de indenizações ou concessão de auxílio-moradia para as famílias que viviam na área interditada.
Ainda de acordo com Ana Cláudia, equipes estiveram no local na manhã desta terça (14) para atualizar o cadastro dos moradores e cruzar informações com o relatório da Defesa Civil. A expectativa é que os pagamentos sejam liberados ainda esta semana.
“Espero que as pessoas consigam receber para poder sair, e a gente ter um pouco mais de respiro”, disse.
Medo e incerteza
Enquanto aguardam providências, quem vive ou trabalha no entorno relata uma rotina marcada pela insegurança.
A comerciante Janaína de Souza, de 49 anos, mantém um mercado no local há quatro décadas. Ela conta que estava no estabelecimento no momento do incidente.
“Quando a gente fechou, viu aquela ventania e não sabia o que era. A primeira coisa que fui olhar foi o paredão. Quando vi, só escutei os gritos. A gente correu para ajudar”, relembra.
Mesmo após oito dias, ela afirma que pouca coisa mudou.
“A mesma coisa. A Defesa Civil vem dois, três dias seguidos e depois não vem mais. Agora só estão medindo, vendo se o pessoal continua aqui. Mais nada”, criticou.
O comércio segue funcionando parcialmente, já que apenas a área diretamente afetada foi interditada.
“Se não pudesse trabalhar, a gente estaria fechado, sem ganhar dinheiro. Isso aqui é o nosso sustento”, disse.
Famílias fora de casa
Para quem precisou sair às pressas, a situação também é de incerteza. A dona de casa Ana Carolina, de 32 anos, deixou o imóvel antes do desabamento após perceber o risco com as chuvas.
“Eu mandei meu marido tirar logo as coisas, porque em qualquer momento podia cair. Foi dito e feito”, contou.
Desde então, ela está vivendo com o marido e o filho na casa da mãe.
“A casa é pequena, mas é o que tem”, disse.
Ana Carolina ainda aguarda definição sobre possível indenização e foi convocada para apresentar documentos.
“Disseram que vão indenizar, mas até agora nada. Só Deus sabe como vai ser”, afirmou.
Risco continua
Além do muro que desabou, moradores alertam para outros pontos da comunidade que também apresentam sinais de deterioração, incluindo uma estrutura na Rua do Brum, que já apresenta queda de reboco.
A preocupação aumenta com a previsão de mais chuvas.
“A gente não está dormindo direito. É carro passando, criança indo para a creche… se cair de novo, pode ser mais uma vítima”, disse Ana Cláudia.
A comunidade agora aguarda que, após a retirada das famílias, as obras de reparação sejam iniciadas com urgência.
O que diz a Prefeitura
Por meio de nota enviada ao Diario de Pernambuco, a Prefeitura do recife informou que publicou "no Diário Oficial do Município desta terça-feira (14), decreto de desapropriação das benfeitorias existentes na Quadra 60 da Comunidade do Pilar. A medida tem o objetivo de agilizar o pagamento das indenizações para as pessoas que precisarão deixar os imóveis da área."
De acordo com a gestão, a Defesa Civil atua no local realizando coletas de informações para atualizar os dados das famílias afetadas. "Com base nesse diagnóstico, cada caso será encaminhado para indenização ou auxílio-moradia, de acordo com os critérios estabelecidos", destaca a nota. Até o momento 15 pessoas já deixaram a área por recomendação.