Associação apoia pacientes de transplante de fígado há 24 anos no Recife
APAF oferece suporte social para garantir continuidade do tratamento no Hospital Oswaldo Cruz
Era 2001 quando cinco amigos decidiram se unir em prol de uma medicina que contasse também com o reforço de um suporte social. Assim nasceu a Associação Pernambucana de Apoio aos Doentes de Fígado (APAF). Desde então, são 24 anos apoiando pacientes atendidos pela Unidade de Transplante de Fígado do Hospital Oswaldo Cruz (UTF/HUOC), em Santo Amaro, no centro do Recife.
“Não seria possível tratar as pessoas sem considerar essas questões sociais relevantes, como transporte, estadia, alimentação e medicações. Os pacientes chegavam até o serviço e não tinham como ficar ou como custear isso. Então esse é o suporte para que o tratamento consiga fluir com sucesso”, conta a gerente-executiva da APAF, Glauce França.
Tudo começou, com um caso que chocou médico chefe da Unidade de Transplante de Fígado (UTC) do Hospital Oswaldo Cruz, o cirurgião e hepatologista Cláudio Lacerda, um dos fundadores e presidente emérito da APAF: uma paciente de 12 anos recém-transplantada não conseguiu arcar com a passagem de ônibus para dar continuidade ao acompanhamento médico e infelizmente faleceu.
Essa foi a motivação para lutar contra as falhas na rede de apoio aos pacientes, conta o também fundador da APAF, o empresário Luiz Araújo.
“Foi muito chocante. Cláudio é muito meu amigo, estávamos reunidos e ele comentou que tinha feito um transplante perfeito. Um mês depois ele disse que a paciente atrasou o seguimento do tratamento porque não tinha o dinheiro da passagem. Quando ela retornou, estava com necrose do fígado e faleceu”, conta.
Atualmente, a APAF opera de forma integrada à Unidade de Transplante de Fígado do Hospital Oswaldo Cruz, onde financia uma equipe de profissionais para garantir o acolhimento, orientação e marcação de consultas dos pacientes assistidos. Por mês, em média 600 pacientes são atendidos no ambulatório.