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Centro do Recife tem 136 imóveis com risco estrutural alto ou muito alto, aponta Defesa Civil

Nessa segunda (6), o muro de casarão histórico desabou e matou um casal na comunidade do Pilar

Por Nicolle Gomes

17 moradias na área do desabamento de casarão no Recife devem ser desocupadas

A área central do Recife possui 136 imóveis com risco estrutural alto ou muito alto, segundo a Defesa Civil da capital. Os números foram obtidos após vistorias feitas no ano passado. Nessa segunda (6), o muro de casarão histórico desabou e matou um casal na comunidade do Pilar, no Centro da cidade.

Do total de estruturas vistoriadas, 102 foram classificadas com grau alto de risco e 34 com grau muito alto. Ainda conforme a Defesa Civil, as classificações não indicam, necessariamente, risco de colapso estrutural, podendo estar associadas a situações pontuais e passíveis de controle.

“Cada vistoria resulta em uma avaliação técnica individualizada, com orientações específicas para reduzir ou eliminar as situações identificadas”, destaca nota da corporação.

Comunidade do Pilar

Duas pessoas morreram e duas ficaram feridas na noite desta segunda (6) após serem atingidas pelo desabamento do muro de um casarão histórico situado na Rua do Brum, na comunidade do Pilar, no Centro do Recife. O desabamento atingiu residências construídas de forma improvisada em um terreno próximo ao imóvel.

A Defesa Civil do Recife informou, nesta terça (7), que existem 17 moradias na área da tragédia do Pilar, no Centro da cidade, em situação irregular e que precisam ser desocupados.

Em entrevista ao Diario, o secretário-Executivo de Defesa Civil do Recife, coronel Cássio Sinomar, informou que dessas 17 moradias, são 10 na área interna do casarão e sete na parte externa.

“O imóvel que caiu tinha alta gravidade de risco. As pessoas devem se deslocar para um local seguro”, afirmou o coronel.

Ainda segundo Cássio Sinomar, a prefeitura está fazendo um trabalho de conscientização das pessoas que moram na área do Pilar, pois é uma "área de muito risco".

“Temos um casal, uma criança e mais quatro pessoas que já se mobilizaram para deixar a área. Mas também existem donos de imóveis e gente que tem casas alugadas e que devem deixar esses locais. O trabalho é mostrar a todos que é necessário ir para abrigos. Temos opção para dar auxílio-moradia e tratar de indenizações”, afirmou.

O secretário-executivo de Defesa Civil disse, ainda, que há pessoas que resistem aos apelos da prefeitura.

“Entramos na Justiça para tirar essas pessoas. Algumas recorreram para ficar. Temos uma decisão da justiça para retirar e demolir, mas mesmo assim elas ficaram”, declarou.

Sinomar afirmou também que o casal que morreu estava em situação irregular e está na lista de moradores que buscou a Justiça para ficar na área de perigo.

O que diz a Defesa Civil

A Defesa Civil ressaltou, em nota, que a responsabilidade pela manutenção preventiva e corretiva das edificações é dos proprietários, para evitar acidentes e garantir a segurança do entorno.

Além disso, a Prefeitura do Recife informou que desde 2021, a política habitacional da cidade já viabilizou a construção de mais de 6 mil unidades habitacionais, entre obras concluídas e em andamento, aprovadas junto ao Governo Federal e garantidas na PPP Morar no Centro.

Nesse período, foram entregues sete conjuntos habitacionais, totalizando 1.736 moradias, além de obras de contenções definitivas de encostas, que garantiram a segurança de outras 18 mil famílias. No mesmo intervalo, a gestão municipal também concluiu mais de 5,1 mil obras do Programa Parceria, beneficiando quase 11 mil famílias.