Páscoa: o significado entre o feriado, a história e a fé
A Semana Santa traz consigo história e fé. A Páscoa, auge da celebração, é comemorada neste domingo (4) por todos os cristãos do mundo
Feriados muitas vezes carregam significados que vão muito além de um dia de folga no meio da rotina. Datas históricas, festivas e religiosas têm uma importância cultural que perpassa gerações. A Páscoa não é diferente. O período tem início na Quaresma, e segue com datas vivas no conhecimento popular, como o Domingo de Ramos, Semana Santa, e por fim, o Domingo de Páscoa.
A Sexta-Feira Santa relembra a morte de Jesus e o domingo de Páscoa carrega sentidos anteriores à história da paixão, morte e ressureição de Cristo. A celebração é considerada a mais importante do calendário Cristão. É o que conta o Monsenhor Luciano Brito, Vigário Geral da Arquidiocese de Olinda e Recife.
“É a grande solenidade de todo o ano litúrgico. Nela nós celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. Por isso que a igreja anualmente faz celebra a Quaresma durante 5 semanas para adentrarmos na grande Semana Santa, que vai do Domingo de Ramos até o Sábado santo. Nós celebramos com toda fé e amor, os mistérios da paixão, morte e ressurreição do Senhor”, detalha.
O termo "Páscoa" tem raízes no hebraico "Pesach", que significa "passagem". No cristianismo, a celebração está ligada à tradição judaica da Páscoa, que comemora a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, conforme descrito no livro do Êxodo, no Antigo Testamento da Bíblia.
“A Páscoa faz o povo judeu relembrar a passagem no Egito Antigo, a passagem pelo Mar Vermelho e a libertação da escravidão. Os símbolos da Páscoa naquele período eram tanto o pão como o cordeiro. Hoje existe a tradição de comer peixe na Páscoa, mas originalmente era um cordeiro que era oferecido em sacrifício, em gratidão a Deus. A festa girava em torno da nova vida, do renascimento do povo”, explica o historiador Will Lopes.
Libertação
O sentido mais conhecido da Páscoa vem com a história de Jesus Cristo, acrescenta o pesquisador.
“Jesus morreu, foi crucificado justamente no período de Páscoa. A última ceia dele foi de Páscoa. Os judeus libertam um prisioneiro como uma tradição de Páscoa, escolheram Barrabás e decidiram crucificar Jesus. Ele simbolicamente representa o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É uma analogia ao cordeiro que foi sacrificado no Antigo Testamento, naquele contexto do povo judeu escravo no Egito. O sangue de um cordeiro sacrificado era passado nos umbrais da porta para que o anjo da morte passasse não levasse os primogênitos dos judeus no Egito. Aí a palavra ‘passagem’ ganha um significado diferente: da morte para vida, porque ao terceiro dia Jesus ressuscita”, adiciona o históriador sobre os símbolos que
marcam esse período.
Além do significado religioso, a festividade também é uma ocasião de celebração cultural, com tradições que variam de acordo com as regiões do mundo e incluem atividades como a realização de missas especiais, a decoração de ovos, a preparação de refeições tradicionais e a troca de presentes.
“Os europeus que trouxeram o cristianismo par ao Brasil e dentro da liturgia cristã está a festividade da Páscoa. Essa festividade foi crescendo dentro do territóriotambém pelo forte apelo comercial, principalmente da indústria de chocolates. O chocolate originalmente não fazia parte da Páscoa. Ele começa aparecer dentro por volta do século XIX na Europa no Reino Unido, depois chega em outros países como o Brasil”, ilustra Will.
Por fim, o historiador reforça a força da tradição da data na sociedade e entre as famílias.
“A Páscoa nos faz refletir sobre as nossas próprias renovações, sobre esperança, um futuro melhor. É uma festividade que estimula um momento em família, algo que pode ser raro hoje em dia, trazendo essa questão do tradicional almoço de domingo, independente de ser peixe ou carne, mas sim reunindo a família e celebrando a renovação da esperança e dos laços. Ela acaba também cumprindo com esse papel social e espiritual”, finaliza.