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Vigília no Recife denuncia avanço do feminicídio em Pernambuco

Iniciativa busca mobilizar sociedade diante de números crescentes de feminicídio no estado

Por Adelmo Lucena

Manifestantes fazem vigília contra feminicídio no Recife

Uma vigília realizada na noite desta terça-feira (31), no Centro do Recife, marcou o início de uma série de mobilizações mensais contra o feminicídio e a violência de gênero. O ato aconteceu às 18h, em frente ao monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro.

A mobilização foi motivada por dados recentes da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), que apontam 18 feminicídios registrados apenas nos dois primeiros meses de 2026 no estado. No mesmo período, mais de 8 mil casos de violência doméstica e familiar foram contabilizados, uma média de cerca de 137 ocorrências por dia. Em âmbito nacional, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número dos últimos anos.

Organizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal, a iniciativa deve ser feita sempre na última terça-feira de cada mês, com o objetivo de cobrar ações do poder público e ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência contra mulheres.

Presidente da comissão, a vereadora Cida Pedrosa destacou o caráter contínuo da mobilização e a gravidade dos índices. “Nós vamos fazer a vigília a partir de hoje, toda última terça-feira de cada mês. A ideia é criar um movimento para que mais e mais mulheres protestem contra essa pandemia de mortes”, afirmou.

Ela também chamou atenção para o avanço de discursos de ódio, especialmente no ambiente digital. “Antigamente, a gente dizia que, a cada oito minutos, uma mulher era estuprada. Agora, é a cada seis. Então, é uma violência que está crescendo. O movimento redpill na internet também cresce junto, onde você tem adolescentes e jovens sendo formados para a violência. Eles são guiados por homens mais velhos para odiar e subjugar mulheres, para criar uma situação em que elas estejam em condição de subalternidade. E isso é muito grave”, completou.

Para a vereadora Kari Santos, os números refletem um cenário urgente que exige resposta imediata. “Os números são alarmantes. Mulheres estão morrendo, estão sendo vítimas, e a gente precisa chamar a atenção da sociedade. É um período de trevas para nós, mulheres, porque precisamos viver, estamos tentando viver, e essa é uma forma que a nossa comissão encontrou para chamar a atenção do poder público, das pessoas e da sociedade, para que a gente venha a combater esse tipo de violência contra mulheres”, disse.

Ela reforçou ainda a necessidade de enfrentar as raízes estruturais do problema. “Então, o feminicídio é um tipo de crime em que as mulheres morrem por serem mulheres, e isso é alimentado por uma sociedade misógina e machista, que a gente precisa combater, principalmente aqui no estado de Pernambuco. É responsabilidade do poder estadual cuidar das mulheres”, afirmou.

A expectativa das organizadoras é que as vigílias sejam um espaço permanente de denúncia e mobilização social diante do aumento dos casos de violência contra mulheres no estado.

A professora e servidora pública Kátia Barbosa, de 58 anos, esteve presente no ato e acredita que os casos de feminicídio aumentam por falta de humanidade para com as mulheres.

“Chega uma hora que a gente não aguenta mais tanta matança de mulheres. Eu acho uma contradição, porque a gente ainda é um estado que faz frente a um governo democrático. A gente pode pensar diferente, ter gostos diferentes, conviver com a diferença, simplesmente se respeitar, se ver como humano. E eu acho que a gente está num retrocesso”, afirma.