Caso Erika Hilton e Duda Salabert: associação de delegados diz que "não houve intenção de ofensa"
O fato veio à tona esta semana quando a Defensoria Pública alertou as deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) que elas tinham sido colocadas em álbum de fotos da polícia, com outras quatro pessoas, para a vítima do roubo de celular fazer o reconhecimento
Diante da repercussão do uso indevido de fotos de duas deputadas federais no álbum de reconhecimento de suspeitos de roubo de celular no Recife pela Polícia Civil de Pernambuco, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado (Adeppe) se pronunciou sobre o caso nesta quinta (26).
O fato veio à tona esta semana quando a Defensoria Pública alertou as deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) que elas tinham sido colocadas em álbum de fotos da polícia, com outras quatro pessoas, para a vítima do roubo de celular fazer o reconhecimento.
A defensora pública de Pernambuco Gina Muniz afirmou que a inclusão indevida de fotos de duas deputadas federais em álbum para reconhecimento o indica “possível critério discriminatório, com indícios de transfobia e racismo institucional”.
O caso passou a ser investigado pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS), após determinação da governadora Raquel Lyra (PSD).
Por meio de nota, a Adeppe afirmou que em abril de 2025, foi aberta investigação de roubo ocorrido no Centro do Recife.
Ainda segundo a Adeppe, a vítima relatou ter sido abordada “mediante grave ameaça, com emprego de arma branca”, apresentando detalhada descrição dos suspeitos.
Ainda de acordo com a associação, a partir dessas informações, a equipe policial realizou diligências voltadas à identificação dos possíveis autores.
No curso do procedimento, foram selecionadas imagens disponíveis em fontes abertas para viabilizar o reconhecimento fotográfico, tomando por base exclusivamente as características indicadas pela própria vítima.
“É necessário afirmar que procedimentos de reconhecimento exigem cautela redobrada, sobretudo porque, historicamente, determinados grupos sociais têm sido mais expostos a práticas investigativas que podem resultar em equívocos ou estigmatização”.
Também na nota, a Adeppe diz que reconhece que o debate público sobre o tema é legítimo e contribui para o aprimoramento institucional.
”A Polícia Civil de Pernambuco não mantém banco de imagens estruturado para fins discriminatórios, tampouco adota critérios fundados em raça, identidade de gênero ou orientação sexual. Ainda assim, a instituição reafirma seu compromisso de constante revisão de protocolos, de modo a prevenir vieses, ainda que não intencionais, e assegurar maior rigor técnico e equidade nos procedimentos investigativos”, acrescentou.
A entidade declarou que “não houve intenção de ofensa ou constrangimento a quaisquer pessoas eventualmente envolvidas e que o fato de serem apresentadas à vítima para indicação do real responsável não as coloca como suspeitas e nem em estereótipos”.
“A instituição, inclusive, observa o dever de sigilo nas investigações, preservando a imagem e a dignidade dos cidadãos”, acrescentou.