Mostra da UFPE apresenta trajetórias de pioneiras da arquitetura pernambucana
Inauguração da mostra "Pioneiras da arquitetura pernambucana" marca abertura ao público do Espaço Cultural Pavilhão Luiz Nunes, da UFPE, no bairro do Derby, área central do Recife
Na próxima quinta-feira (26), a mostra “Pioneiras da arquitetura pernambucana” marca a abertura ao público do Espaço Cultural Pavilhão Luiz Nunes (ProCult-UFPE) localizado no bairro do Derby, na área central do Recife. A exposição lembra as trajetórias das primeiras arquitetas formadas em Pernambuco, apresentando seu ambiente de formação, suas atuações profissionais e políticas na entidade de classe, o IAB-PE.
A exposição é baseada na tese de doutorado “Arquitetas no Recife: uma leitura de gênero das parcerias entre casais de arquitetos formados na década de 1960", de Andréa Halász Gáti Porto, que identificou 295 arquitetas formadas nas décadas de 1950 e 1960, A primeira delas foi Honorina Lima, primeira arquiteta oficialmente diplomada em Pernambuco, em 1949.
De acordo com Gáti Porto, a pesquisa aborda os diversos desafios enfrentados por essas mulheres para conquistar a formação, desde a falta de incentivo doméstico à hostilidade de um ambiente acadêmico dominado por homens. “As mulheres começaram com a disciplinas de arte e só chegaram às disciplinas de projeto em 1965, com o início do concurso público. Antes, o acesso a esses espaços acontecia por indicação e elas não eram incluídas”, comenta a pesquisadora.
A seleção final da exposição priorizou as profissionais cujas trajetórias receberam reconhecimento excepcional pelo público ou por seus pares em diferentes esferas. “A ausência de muitas outras pela ainda escassa documentação indica o potencial para uma futura mostra mais abrangente”, diz o material de divulgação da mostra.
Em cavaletes emprestados da antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco, serão apresentados breves perfis das arquitetas Honorina Lima, Mênia Giske, Zélia Maia Nobre, Janete Costa, Clementina Duarte, Ridete Tavares e Edileusa Rocha. Um primeiro painel expõe dados sobre o ambiente de formação dessas mulheres e a inserção das docentes no curso de arquitetura, desde a Escola de Belas Artes.
Um segundo painel aborda a atuação feminina no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), demonstrando a tardia participação nos cargos de liderança.
O departamento estadual de Pernambuco, criado em 1951, teve conselheiras e diretoras desde 1956, mas só no final da década de 1970, a Prof. Sônia Marques como presidente.
A produção bibliográfica das mulheres na arquitetura também é lembrada, em uma mesa títulos sobre as arquitetas pernambucanas ou escritos por elas. “Vale destacar que a construção da história da arquitetura em Pernambuco, cuja narrativa, sem a participação dessas mulheres, pode ser considerada não só incompleta, como excessivamente aderente ao mito da criação individual masculina”, completa o material de divulgação.
Pavilhão Luiz Nunes
O Pavilhão Luiz Nunes é considerado um dos mais representativos exemplares da arquitetura moderna brasileira. A edificação projetada pelo arquiteto Luiz Nunes em 1937, fazia parte do conjunto de edifícios do Serviço de Verificação de Óbitos do Governo do Estado de Pernambuco, funcionando no térreo como sala de espera e no pavimento superior como laboratório de patologia. Pertencente à Universidade Federal de Pernambuco, vinculada à a Pró-Reitoria de Cultura (Procult) funciona hoje como espaço cultural de fomento e difusão da arquitetura pernambucana. Abriga também sede do IAB-PE.