"Indícios de ação homicida", diz delegada sobre empresário que invadiu prédio e ameaçou queimar ex no Recife
Investigação aponta que o empresário André Maia Oliveira teria planejado o crime, no Espinheiro
Preso por invadir um prédio e ameaçar matar a ex-companheira, no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, o empresário André Maia Oliveira teria planejado o crime por não aceitar fim do relacionamento e ser notificado da concessão de uma medida protetiva, segundo a delegada responsável pelo caso.
Os detalhes da investigação foram repassados na manhã desta sexta-feira (20), pela delegada Larissa Azedo, adjunta da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) do Recife.
Como aconteceu
De acordo com a delegada Larissa Azedo, o caso começou dias antes do ataque.
A vítima, de 39 anos, procurou a polícia no dia 12 de março, relatando ameaças e perseguição por parte do ex-companheiro, identificado como André Maia Oliveira, 47 anos. O relacionamento havia terminado no dia 6 de março, após cerca de 20 anos juntos.
A partir da denúncia, foi instaurado um inquérito para apurar os crimes de ameaça e perseguição, e a Justiça concedeu uma medida protetiva. No dia 13 de março, ele foi notificado da decisão.
Ainda segundo a delegada, mesmo ciente da medida judicial, o homem descumpriu a ordem.
Na manhã do dia 18 de março, por volta das 5h15, ele foi até o imóvel onde a ex-companheira estava, armado com uma pistola calibre .380 e levando gasolina.
No local, estavam a vítima, a mãe dela e o filho do casal, uma criança de 8 anos. O suspeito efetuou disparos contra o imóvel e, segundo a investigação, também teria a intenção de incendiar o apartamento.
A delegada explicou que, embora o suspeito tenha afirmado em depoimento que queria apenas “assustar”, os elementos reunidos até o momento apontam para uma ação com potencial letal. “Pela conduta, pelos áudios e pelo que foi praticado, há indícios de uma ação homicida”, afirmou.
Investigação aponta planejamento
Segundo Larissa Azedo, há indícios de que o crime tenha sido premeditado. Isso porque o suspeito teria se preparado antes de ir ao local, levando tanto a arma de fogo quanto gasolina, o que reforça a hipótese de planejamento.
A delegada também destacou que o caso segue um padrão comum em situações de violência doméstica.
De acordo com ela, esse tipo de violência geralmente começa de forma gradual, com comportamentos como xingamentos, controle, isolamento e agressões psicológicas.
No relato da vítima, não havia histórico de agressão física, mas havia episódios de ameaças, perseguição e controle, inclusive com situações em que ela teria sido impedida de sair de casa, conforme a delegada.
Após o crime, o homem fugiu e chegou a gravar um áudio com ameaças, afirmando que poderia matar a ex-companheira e a mãe dela, além de incendiar o imóvel.
Em depoimento, ele alegou que as declarações foram feitas em um momento de raiva e que não teria intenção real de cumprir o que disse.
A Polícia Civil investiga se, além da tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, o suspeito também assumiu o risco de atingir outras pessoas, como a ex-sogra e o próprio filho, o que pode configurar novas tentativas de homicídio.
Após o crime, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar realizaram buscas para localizar o suspeito. Como não houve prisão em flagrante, foi solicitada a prisão preventiva, que foi cumprida posteriormente.
De acordo com a delegada, ele se entregou na delegacia de Casa Amarela na tarde desta quinta (19), foi transferido para a delegacia do Rosarinho, onde foi ouvido e, na sequência, transferido para o Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana.
A arma utilizada no crime foi apreendida na casa de um filho mais velho do suspeito.
O homem afirmou que o armamento seria registrado e que teria autorização como CAC, mas não apresentou documentação. A regularidade da arma ainda está sendo verificada.
Atualmente, o suspeito segue preso preventivamente e à disposição da Justiça.
Conforme Larissa Azedo, o caso é investigado em dois inquéritos: o primeiro por ameaça e perseguição, e o segundo por descumprimento de medida protetiva, tentativa de feminicídio, ameaça e injúria.
A Polícia Civil também aguarda os laudos periciais para confirmar detalhes como a quantidade de disparos efetuados.
A vítima está sendo acompanhada pela rede de proteção e recebeu suporte para garantir a segurança após o crime.
Caso o suspeito venha a ser solto, medidas adicionais, como monitoramento eletrônico, poderão ser adotadas, segundo a delegada.