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A solidariedade de vizinhos que ajuda mais de 2 mil famílias do Recife em situação de vulnerabilidade

Criado durante a pandemia da Covid-19 no Recife, o Instituto Vizinhos Solidários promove mensalmente distribuição de cestas básicas, entrega de marmitas e outras ações; famílias afetadas pelas chuvas no interior de Pernambuco também foram beneficiadas pelo projeto

Por Bartô Leonel

Vizinhos Solidários promove assistência social no Recife

A distribuição de marmitas feitas por moradores da Rua Antônio de Sá Leitão, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, durante a pandemia da Covid-19, fez surgir há seis anos o Instituto Vizinhos Solidários, que promove assistência social a cerca de 2.700 famílias que residem no Pina e em Brasília Teimosa.

A ideia de iniciar a distribuição de marmitas começou em março de 2020, por meio da atual presidente do projeto, Maria Eduarda Fernandes, que junto com seus vizinhos criaram uma “rede de solidariedade” que se expandiu, necessitando que o projeto abrisse uma sede na Rua Pereira da Costa, nº 211, no bairro do Pina, para que pudessem atender as famílias.

“Comecei preparando marmitas para pessoas em situação de vulnerabilidade e os meus vizinhos passaram a se mobilizar para ajudar na produção e na distribuição das refeições. Essa rede de solidariedade foi crescendo de forma espontânea, com cada vez mais pessoas querendo contribuir. E foi justamente dessa união que nasceu o nome Vizinhos Solidários, representando pessoas comuns que decidiram se mobilizar para ajudar quem mais precisava”, explicou Maria Eduarda Fernandes.

Atualmente, segundo a presidente do Instituto, cerca de 2.700 famílias que residem no Pina e em Brasília Teimosa são atendidas mensalmente por diferentes ações sociais, como distribuição de cestas básicas, marmitas e apoio a idosos. Capacitações profissionais também são disponibilizadas.

Além dessas famílias que são cadastradas, outras pessoas de cidades da Região Metropolitana e do interior do Pernambuco são contempladas pelo projeto. Entre esses beneficiários, estão os idosos acolhidos pelo Abrigo Santo Antônio, em Olinda, e as famílias atingidas pelas chuvas no Agreste e Sertão do estado.

“Cada ação realizada pelo Instituto reforça a importância da solidariedade e da mobilização coletiva. Ver a transformação na vida das pessoas atendidas mostra que pequenas atitudes podem gerar grandes mudanças dentro das comunidades. Sei que não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar muitos mundos ao nosso redor”, destacou Maria Eduarda.

Campanha Juntos pelo Agreste

Uma das ações promovidas pelo Instituto Vizinhos Solidários é a campanha Juntos pelo Agreste, que irá distribuir donativos às famílias que foram atingidas pelas fortes chuvas na região. A ação, que é feita em parceria com a Ferreira Costa, está recebendo doações até o dia 19 de abril em uma das lojas da rede de home center.

A iniciativa foca na arrecadação de itens de primeira necessidade (arroz, feijão e água mineral), além de produtos de higiene pessoal (sabonetes e fraldas,) e itens de dormitório, especificamente lençóis e colchas para equipar os abrigos temporários.

Questões financeiras do Instituto

De acordo com a presidente do Instituto, o projeto se mantém exclusivamente por meio de doações de pessoas físicas, empresas parceiras e voluntários, não recebendo nenhum recurso do poder público e de instituição religiosa.

Apesar disso, Maria Eduarda afirma que o principal desafio da instituição é manter e ampliar o fluxo de doações ao longo do ano.

“A logística de atuação do Instituto é bastante ágil. Existe um forte senso de urgência e uma boa articulação com os voluntários, doadores e parceiros, o que permite que campanhas sejam colocadas em prática rapidamente sempre que surge uma necessidade”, ressaltou.

“Porém, como o Instituto depende exclusivamente de doações, a maior dificuldade é aumentar o poder de doação para ampliar o alcance das iniciativas e atender cada vez mais pessoas em situação de vulnerabilidade”, enfatizou.

Mercado Solidário

Um dos destaques da instituição é o projeto Mercado Solidário, que fica na própria sede do Instituto. No local, as pessoas em situação de vulnerabilidade cadastradas podem escolher seus próprios alimentos e itens de necessidade básica.

Dentro desse projeto também foi lançada a startup social VIZ, conhecida como a moeda do Pontinho, uma moeda social utilizada no Mercado Solidário. Por meio dessa moeda, as pessoas que moram no Pina podem fazer sua feira, escolhendo os produtos que precisam, como em um mercado comum.

Segundo Maria Eduarda, o modelo do Mercado Solidário foi implantado em cinco estados do Brasil, com o Instituto Vizinhos Solidários oferecendo mentoria e apoio para outros projetos sociais que desejam implementar essa iniciativa.

“Mais do que assistência imediata, o Instituto busca promover dignidade, esperança e oportunidades. Muitas vezes chegamos em momentos muito difíceis da vida das pessoas, quando falta alimento ou apoio. Nossas ações ajudam a aliviar necessidades urgentes, mas também fortalecem a autoestima e o senso de pertencimento dentro da comunidade”, finalizou Maria Eduarda.