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"Cena de terror": mãe de vítima comenta ataque em escola em Barreiros

Mãe de uma das três vítimas do ataque em uma escola em Barreiros, na Mata Sul do estado, cedeu entrevista ao Diario e comentou sobre o caso

Por Nicolle Gomes

PM foi acionada para escola onde ocorreu ataque em Barreiros

A mãe de uma das vítimas do ataque dentro de uma escola em Barreiros, na Mata Sul do estado, descreveu o caso como uma “cena de terror”. Na manhã desta segunda-feira (16), um aluno da unidade de ensino esfaqueou três colegas.

A mulher, que não tem seu nome revelado para não identificar a vítima, disse que a filha foi atingida nas costas, na região do trapézio, e no supercílio, por golpes de um objeto cortante, semelhante a uma pequena faca.

Segundo ela, a garota saiu de casa, próxima à Escola de Referência em Ensino Fundamental (EREF) Cristiano Barbosa e Silva, normalmente. Cerca de 30 minutos depois, a mãe foi avisada de que algo estaria acontecendo, e decidiu buscar a filha, sem imaginar que ela seria uma das vítimas.

“Uma colega minha ligou avisando que alguém tinha sido esfaqueado na escola. Para mim, tinha sido na frente da escola. Eu decidi buscar minha filha. Não passou na minha cabeça que seria ela. Quando eu cheguei na metade do caminho, uma outra aluna disse que [o caso] foi no 9º ano, aí eu já me desesperei mais ainda”, relembrou.

A mulher contou que entrou na escola procurando a jovem. “Quando eu entrei, perguntei ao vigia onde ela estava. Quando ele me levou para a direção da escola, vi minha filha sem a blusa, porque tinha rasgado para conter o sangramento, e toda lavada de sangue.

Foi uma cena de terror. Deixei minha filha ir para a escola, achando que era um ambiente seguro, mas a vi naquela condição”, recordou.

A estudante precisou de suturas e recebeu alta ainda na manhã desta segunda e está fisicamente estável. “Minha filha disse que estava bem a todo momento. Foi quando eu me acalmei para entender o que estava acontecendo”, relatou.

Segundo ela, a adolescente contou que saiu da sala para pedir ajuda, mas retornou para tentar auxiliar os colegas. Foi nesse momento em que ela foi atingida. “Quando ele [o agressor] levantou para atacar a outra garota, minha filha contou que saiu da sala para pedir ajuda e voltou para ajudar os amigos dela. Ela chamou ajuda, o segurança subiu, quando ela deu de frente com ele, ele mirou a faca nela. Ela saiu correndo, gritando, caiu e foi para outra sala pedir socorro. O professor conseguiu socorrer ela e fechar a porta da sala”, detalhou.

Horas depois do susto, a jovem aparentava estar “mais tranquila”, disse a mãe. “Ela está melhorzinha. Está rodeada da família e dos amigos dela. Até agora ela está bem estável e mais tranquila. Eu não sei mais tarde quando ela for dormir, como vai ser a reação dela, porque acho que o corpo dela não tá em adrenalina ainda. Ela a todo momento ela fala que está bem, mas eu não sei da cabecinha dela. Como ela tem crise de ansiedade, esse é o meu medo”, comentou.

A mãe da garota comentou, além disso, que a filha dela não pratica bullying contra o adolescente acusado de cometer o crime. A versão foi colocada pela avó do garoto, também de 14 anos. “Eu acho que minha filha não tem culpa. Estão falando em áudios na internet, mas não justifica, tem que provar. Se eram duas meninas fazendo bullying com ele, ele atacou três meninas e não atacou mais porque contiveram. Será que a sala toda estava fazendo bullying com ele e a escola nem o professor viram? Foi dentro da sala. A professora já estava na sala quando ele se levantou e foi até a primeira menina, que ficou mais grave”, argumentou.

Ainda de acordo com a versão dada pela jovem, o adolescente acusado é “muito calado e não queria proximidade com ninguém.” “Eu vi várias crianças correndo sem saber o que estava acontecendo. E a mãe diz que a culpa é das meninas? Minha filha e outros coleguinhas disseram que ele escreveu que ia fazer um massacre. Ele postou no Instagram o que ele ia fazer, então ele vinha premeditando”, acrescentou.

A mãe afirmou também que quer justiça pelo o que aconteceu com a filha. “Se fosse um pouquinho mais acima, acho que eu não estaria com a minha filha aqui. Minha filha era uma das melhores da sala. Ela passou com ótimas notas. Não tem o que falar de uma aluna assim. Ela é uma boa filha e amiga. Eu quero justiça de Deus, da Terra, seja lá do que for pela minha filha, pelas outras meninas vítimas e por outras crianças que não foram atingidas fisicamente, mas mentalmente. Eu vi um cenário de guerra, crianças correndo como se o mundo estivesse acabando. O que ele fez, ele tem que pagar”, reforçou.

A mãe questionou ainda o fato de que apenas garotas foram vítimas do adolescente. “Não foi uma briguinha que discutiu na escola. Ele foi matar três meninas. Para mim, isso é tentativa de feminicídio. Incrível ele sair para três meninas. Não ir diretamente para um homem, e ainda fazer um ataque mesmo na hora que tem que a professora na sala, uma mulher”, pontuou.

O Diario também entrou em contato com as famílias das outras duas estudantes esfaqueadas e constatou a apreensão de quem ainda está processando tudo o que aconteceu. “Meus pais estão um pouco tensos ainda”, disse a irmã de uma das adolescentes feridas. Entre olhares assustados, permanece o silêncio. Vizinhos e moradores da localidade ainda tentam compreender o caso, que ainda não está totalmente esclarecido.