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Família de paratleta morto ao ser arremessado de prédio no Recife faz vaquinha para cremação

Enterrado como indigente, corpo de Maycon Douglas precisa ser cremado para que as cinzas sejam levadas pela mãe

Por Adelmo Lucena

O ex-paratleta Maykon Douglas.

A família do paratleta Maycon Douglas de Jesus Almiron, de 30 anos, abriu uma campanha de arrecadação na internet para custear a cremação do corpo e permitir que as cinzas sejam levadas pela mãe para fora de Pernambuco. O atleta foi morto no dia 13 de fevereiro após ser arremessado de um prédio no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

Maycon foi enterrado como indigente cerca de 12 dias após o crime, no Cemitério Parque das Flores, apesar de ter sido encontrado com documento de identidade no local. A família, que vive no Mato Grosso do Sul, só conseguiu viajar à capital pernambucana depois de tomar conhecimento do caso.

Segundo a advogada da família, Emilly Amaral, agora é necessário realizar a cremação para que a mãe possa transportar as cinzas. O custo do procedimento, somado às despesas com funerária e passagens aéreas, ultrapassa R$ 5 mil. Por isso, foi criada uma vaquinha online para arrecadar recursos.

A mãe de Maycon, a cozinheira Marta Almorin, 48 anos, veio ao Recife e tenta concluir os trâmites legais para retirar o corpo e autorizar a cremação. A Justiça já teria autorizado o procedimento, após a confirmação do parentesco por meio de material genético coletado quando ele foi enterrado como indigente.

A família também busca pelos pertences de Maycon, que, segundo a advogada, estava hospedado em um hotel na capital. Ele costumava andar com uma mala preta e uma bolsa que costumava ficar junto da cadeira de rodas. “Dentro dessa bolsa tem cartões, passaporte, alguns documentos e objetos que a família queria muito recuperar, até para conseguir encontrar as contas bancárias, porque a mãe não sabe em quais bancos ele tinha conta”, diz a advogada.

O caso que levou à morte do paratleta ocorreu em um edifício residencial próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem. De acordo com a polícia, Maycon vendia doces na orla quando foi convidado a subir ao apartamento por Thiago Regalado Carvalheira, de 35 anos.

Dentro do imóvel, o homem teria apresentado comportamento agressivo. Uma amiga que estava no local e uma empregada doméstica conseguiram sair do apartamento. Maycon permaneceu no quarto e acabou sendo arremessado do quarto andar junto com sua cadeira de rodas elétrica.

Segundo o delegado Rodrigo Bello, responsável pelo registro da ocorrência, o suspeito estaria em surto psicótico. Após o crime, ele também se jogou do edifício e morreu.

Natural de Mato Grosso do Sul, Maycon tinha má-formações nos braços e nas pernas e ficou conhecido no esporte adaptado. Em 2013, conquistou o título de campeão de bocha adaptada nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, realizados em Buenos Aires.

Nos últimos anos, ele costumava viajar pelo país. Entre as cidades por onde a família sabe que ele passou estão São Paulo, João Pessoa e Blumenau, além do Recife. Ele tinha o objetivo de conhecer o Norte do país.

A última visita ao estado natal ocorreu em julho de 2025, quando passou cerca de um mês com parentes em Campo Grande. Depois disso, voltou a viajar e o contato com a família se tornou esporádico. Por esse motivo, quando os parentes souberam da morte, inicialmente tiveram dificuldade em acreditar na notícia.

“Apesar da deficiência, ele tinha uma vida muito ativa. Muita gente pensava que ele era morador de rua, mas ele não era. Ele tinha a renda dele vinda da aposentadoria e gostava de viajar. Ele também dava palestras, gostava de conversar com as pessoas, fazer amizade. Talvez por isso tenha sido fácil alguém convencê-lo a ir para aquele apartamento”, explica a advogada.

Agora, a principal mobilização da família é reunir recursos para concluir o processo de cremação e levar as cinzas do atleta para que parentes e amigos possam se despedir.