Família de ex-paratleta enterrado como indigente faz vaquinha para vir ao Recife
Maykon Douglas faleceu após ser arremessado de prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife
A família do ex-paratleta Maykon Douglas de Jesus Almiron, que morreu após ser arremessado do quarto andar de prédio no Recife, está fazendo uma arrecadação coletiva de dinheiro. O objetivo da vaquinha é reunir recursos para custear passagem, hospedagem e demais despesas para que a mãe venha ao Recife.
"A mãe de Maykon precisa ir até Recife para buscar respostas sobre sua morte e enterrá-lo dignamente", diz texto da vaquinha.
No site, a família acrescenta que a família precisa vir ao Recife para resolver documentação, emitir certidão de óbito, organizar pendências deixadas por Maykon e "encerrar esse ciclo com dignidade".
A meta da arrecadação é de R$ 20 mil. Até a manhã deste domingo, eles haviam recebido pouco mais de R$ 1 mil. A vaquinha pode ser acessada neste link.
O caso
O ex-paratleta profissional Maykon Douglas de Jesus Almiron, de 30 anos, do Mato Grosso do Sul, morreu após ser arremessado de prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, em 13 de fevereiro. Ele tinha deficiência nos membros superiores e inferiores e usava cadeira de rodas.
Segundo investigação policial, ele foi jogado por Thiago Regalado da Carvalheira, de 35 anos, que estaria em surto psicótico. Thiago também se jogou do prédio e morreu.
Maykon estava vendendo bala na orla de Boa Viagem. Ele teria sido abordado por Thiago, que, comovido com a história do cadeirante, o convidou para seu apartamento.
Nenhum parente fez o reconhecimento do corpo de Maykon Douglas, que, por isso, foi enterrado como indigente.
A família diz que vai processar o Estado de Pernambuco por danos morais, afirmando que o governo não fez os esforços necessários para localizar os parentes.
"Meu primo era atleta. Era só 'dar um Google'", critica a maquiadora Maria Gabriela Almiron, prima de Maykon. "Como o Estado, com o poder e a tecnologia que tem, não conseguiu [localizar]?", ela questiona.
O Diario de Pernambuco procurou a Secretaria de Defesa Social (SDS) e a Polícia Civil sobre os procedimentos adotados no caso, mas não obteve posicionamento até a publicação.